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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Forças Armadas atuam na demarcação de terra indígena Kayabi

Brasília, 21/08/2012 – Para salvaguardar a comunidade indígena Kayabi contra ilícitos, como garimpo ilegal e desmatamento, 150 militares das Forças Armadas (138 deles do Exército Brasileiro) atuaram na demarcação física de uma área de cerca de 1,053 milhão de hectares de extensão entre os municípios de Apiacás (MT) e Jacareacanga (PA).

Batizada de Operação Kayabi, a missão foi concluída na última quinta-feira (16) e contou com o apoio de aeronaves das três Forças, que somaram 160 horas/voo. A coordenação ficou sob responsabilidade do Comando Militar da Amazônia (CMA), com auxílio de técnicos da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) do Exército.

Além da equipe, a DSG juntou-se ao 53º Batalhão de Infantaria de Selva, localizado em Itaituba (PA), para disponibilizar meios materiais, entre eles equipamentos de topografia.

Segundo o gerente-técnico da operação, tenente coronel Marcis Gualberto Mendonça Junior, a demarcação “é um trabalho que o Exército já está acostumado a fazer há muitos anos”. Para ele, a única dificuldade da ação diz respeito à logística numa “área de mata primária”.

Durante 42 dias, aproximadamente 140 marcos divisores de limites foram implantados na região. Todo o trabalho teve acompanhamento de representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai).

De acordo com a Funai, a demarcação física é uma das etapas fundamentais para que os indígenas tenham a posse plena sobre o seu território tradicional e condições para se reproduzir física e culturalmente enquanto sociedade diferenciada.

Atualmente, cerca de 250 índios da etnia Kayabi vivem na terra indígena. Mas, segundo a fundação, com a demarcação pode ser que a população de outras áreas migre e aumente esse número.

Tratativas

O Ministério da Justiça já havia estabelecido, em 2 de outubro de 2002, os limites da terra indígena, conforme consta na Portaria nº 1.149.

Para cumprir a determinação e evitar que diferentes crimes ambientais viessem a ser cometidos na área, o governo federal e lideranças indígenas firmaram acordo no
final de outubro do ano passado e definiram a demarcação.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Deputado cobra explicações sobre "canto" de soldados do Exército

O líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ), cobrou nesta quinta-feira (11) do Ministério da Defesa explicações sobre o canto de soldados do 1º Batalhão do Exército publicado nesta quinta-feira (12)pelo jornal O Globo. Na avaliação do deputado, o fato representa "clara indução à violência e ofensa"
De acordo com a coluna Panorama Político, soldados corriam ontem pela Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, cantando: "Bate, espanca, quebra os ossos. Bate até morrer". O instrutor então perguntava: "E a cabeça ?" Os soldados respondiam: "Arranca a cabeça e joga no mar". No final o instrutor perguntava: "E quem faz isso?". E os soldados respondiam: "É o Esquadrão Caveira".
Em nota, Chico Alencar informa que além do requerimento de informações pede "o fim imediado da entonação desdes brandos em toda e qualquer unidade das Forças Armadas". Também será encaminhada denúncia à Comissão Nacional da Verdade.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara divulgou nota de repúdio face às denúncias divulgadas pelo Globo e no jornal Correio Braziliense sobre vídeos postados no YouTube por supostos policiais militares do Distrito Federal, que fazem apologia a violência ao exaltar os excessos praticados em operações especiais.
A comissão reitera que o conteúdo das denúncias "confronta princípios da nossa Constituição e dos acordos internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário" . Também pede explicações e adoção das providências cabíveis sobre o caso. Na avaliação dos parlamentares, os fatos revelam a "existência de setores saudosistas da ditadura militar".

terça-feira, 10 de julho de 2012

Força Aérea da Indonésia Assina Contrato Comercial para Segundo Lote de Aviões A-29 Super Tucano


A Força Aérea da Indonésia assinou contrato comercial de um segundo lote de oito aviões turboélices de ataque leve e treinamento tático A-29 Super Tucano, da Embraer. O pedido inclui ainda um simulador de voo que será utilizado para instrução e treinamento dos pilotos indonésios. A Indonésia começará a receber os primeiros quatro aviões do primeiro lote em agosto de 2012 e as entregas do segundo lote em 2014.

“Esta decisão demonstra o reconhecimento da qualidade do Super Tucano no mercado internacional”, disse Luiz Carlos Aguiar, Presidente da Embraer Defesa e Segurança. “Agradecemos à Força Aérea da Indonésia pela confiança e estamos certos de que o Super Tucano desempenhará com eficácia e excelência as missões para as quais foi selecionado.”

O A-29 Super Tucano foi escolhido pela Indonésia para executar uma ampla gama de missões, que incluem ataque leve, vigilância, interceptação aérea e contra insurgência. Esta aquisição faz parte do plano de modernização de equipamentos das Forças Armadas da Indonésia para os anos 2009-2014. Com mais de 157 mil horas de voo e mais de 23 mil horas de combate, o A-29 Super Tucano está equipado com as mais recentes tecnologias em sistemas eletrônicos, eletro-ópticos, infravermelho e laser, assim como sistemas de rádios seguros com enlace de dados e uma inigualável capacidade de armamentos, o que o torna altamente confiável e com excelente relação custo-benefício para um grande número de missões militares, mesmo em pistas não pavimentadas.

Exército dos EUA ajudará Brasil na construção de vias fluviais

O exército dos Estados Unidos ajudará o governo brasileiro na construção de vias fluviais para melhorar a distribuição da produção agrícola entre os Estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.
O projeto de cooperação foi discutido nesta terça-feira em reunião em Brasília entre os diretores da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do Rio São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e o comandante Douglas Fraser, chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos.
A Codevasf, empresa pública do Ministério de Integração, explicou em comunicado que Fraser selou um acordo de cooperação técnica para consultoria na área de hidrovias. A parceria visa o controle de processos erosivos, garantia de navegabilidade e contenção das margens do rio São Francisco, o terceiro maior rio do Brasil, com mais de 3 mil quilômetros de extensão.
A intenção das autoridades brasileiras é melhorar o trânsito de mercadorias, sobretudo do setor agrícola, e favorecer diversos planos vinculados à distribuição dos produtos da agricultura familiar.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Paradoxo Nuclear

Mudanças climáticas e proliferação de armas nucleares são os fatores que representam a maior ameaça à segurança internacional


Leonam dos Santos Guimarães
Doutor em engenharia, assistente da presidência da Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica
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Na Cúpula da OTAN, que teve lugar de 20 a 21 de maio em Chicago, a aliança reafirmou a importância das armas nucleares para a estratégia de defesa do bloco ocidental e garantiu aos membros europeus que o escudo de defesa antimíssil, atualmente em desenvolvimento, não presidente tomar o lugar dessas armas.
Os EUA mantiveram, sob o “guarda-chuva” da OTAN, até 7.000 armas nucleares no território de países da Europa durante a Guerra Fria. Embora a Guerra Fria tenha terminado há 20 anos, os EUA continuam a manter cerca de 200 armas nucleares táticas em cinco países europeus: Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia. Além disso, dois membros da OTAN, a França e o Reino Unido, possuem armas nucleares próprias.
Os Estados Unidos planejam gastar pelo menos US$ 6 bilhões para modernizar as bombas nucleares B-61 que estão em solo europeu. Essas bombas, lançadas por aviões bombardeiros, não teriam nenhum emprego concebível pois seu desenvolvimento, décadas atrás, era justificado pelas preocupações ocidentais sobre a superioridade militar convencional soviética na Europa. Parece que essas preocupações permanecem apesar do fim da Guerra Fria, ou os alvos atuais seriam outros.
Dos cinco países europeus que abrigam armas nucleares americanas, dois (Alemanha e Itália) proscreveram um uso pacífico da energia nuclear, a geração elétrica, e um terceiro (Bélgica) tem declarado que segura esse mesmo caminho. É paradoxal o fato de que nesses países não se percebe nenhum movimeto político ou da sociedade civil significado no sentido de proscrever essas armas de seu território, apesar de todos serem membros do tratado de não proliferação nuclear.
Com a proximidade de conferência Rio+20 da ONU, diversas personalidades políticas e do movimento ambientalista vêm se posicionando de forma radicalmente contrária ao uso pacífico da energia nuclear, que é a geração elétrica. O “ensurdecedor” silêncio quanto às armas nucleares é surpreendente. Mais ainda quando se leem as recentes notícias sobre os desdobramentos possíveis da crise nuclear no Irã, da nova constituição da Coreia do Norte, promulgada em 13 abril passado, que assume ser o país nuclearmente armado, o recente recrudescimento das tensões políticas em torno da soberania das Ilhas Malvinas, que trouxe ao Atlântico Sul submarinos britânicos potencialmente dotados de armas nucleares, e que a Alemanha participa do esforço bélico de Israel, supostamente voltado contra o Irã, fornecendo-lhe submarinos capazes de lançar mísseis nucleares.
Mudanças climáticas e proliferação de armas nucleares são os dois fatores que representam a maior ameaça à paz e à segurança internacional, senão à própria sobrevivência da civilização. Mas enquanto a ameaça das mudanças climáticas se coloca no longo prazo, as armas nucleares são uma ameaça que pode se concretizar a qualquer momento pelo uso proposital por Estados que as possuem, por terroristas que as desviem ou pela ocorrência de acidentes.
A maneira eficaz de afastar a ameaça imediata das armas seria a eliminação total e irreversível de todos os arsenais nucleares e a proscrição de produção, uso e armazenagem de urânio altamente enriquecido e de plutônio em “grau de arma”, materiais que não existem em território brasileiro. A mitigação de ameaça das mudanças climáticas inclui necessariamente o desenvolvimento em ampla escala da geração elétrica nuclear.
Assim como do aço, do nuclear podem ser feitos lanças e arados. A sustentabilidade pede a proscrição das lanças e a proliferação dos arados. Mas não se ouvirá isso na Rio+20, infelizmente.

Leonam dos Santos Guimarães é doutor em engenharia, assistente da presidência da Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Brasil aumenta poderio naval para cuidar das reservas de petróleo cru

Em 2008, o Brasil assinou um acordo com a França para comprar cinco submarinos a disel da categoria Scorpene, um dos quais seria convertido em nuclear pelo Brasil. (Foto: AFP/Mychele Daniau)
O Brasil está empenhado em aumentar seu poderio naval para proteger as milionárias reservas de petróleo e gás localizadas em águas ultra profundas, disse em 11 de junho a presidente Dilma Rousseff, durante uma cerimônia militar.
“Os investimentos que vêm sendo efetuados em novos navios-patrulha propiciarão o aumento da presença do Estado em águas jurisdicionais, onde se situa a maior parte de nossas reservas de petróleo e gás”, declarou a governante.
Dilma Rousseff reivindicou, como uma “exigência estratégica”, a modernização da Marinha de Guerra, em um discurso por ocasião do aniversário de 147 anos da batalha naval de Riachuelo, que deu ao Brasil a vitória na guerra contra o Paraguai.
“Sabemos que nosso papel na preservação da paz depende da capacidade de dissuasão do Brasil. A atuação de nossas Forças Armadas (…) requer equipamentos de qualidade, prontos para serem utilizados, e pessoal adequadamente preparado”, acrescentou.
Assim sendo, destacou um acordo assinado há anos com a França para a aquisição de quatro submarinos Scorpene diesel-elétricos e a construção do primeiro submarino nuclear.
Além disto, o Brasil anunciou em maio a compra de quatro lanchas fluviais da Colômbia, através do programa de proteção de suas reservas de petróleo, da bacia do Rio Amazonas e dos 7.491 quilômetros de costa.
O Brasil, que conta com a maior Marinha de Guerra da América latina, aplica cerca de 1,5 por cento do PIB no orçamento da defesa.

domingo, 3 de junho de 2012

Venda de armas russas irrita EUA

Os Estados Unidos subiram ontem o tom de suas críticas à conduta da Rússia na crise da Síria, em especial uma suspeita de fornecimento de armas para o regime de Bashar Al-Assad, denunciado pela embaixadora norte- americana nas Nações Unidas, Susan Rice.

Referindo-se à chegada de um navio russo ao país, no fim de semana, a diplomata ponderou que "não se trata, tecnicamente, de uma violação das leis internacionais, pois não está em vigor um embargo", mas ressaltou sua preocupação, "já que o governo sírio continua usando força letal contra a população civil". A secretária de Estado Hillary Clinton voltou à carga contra o bloqueio de Moscou a qualquer resolução que abra as portas a uma intervenção. "Os russos me disseram que não querem uma guerra civil (na Síria).

Eu lhes disse que sua política contribuirá para (deflagrar) a guerra civil", disse Clinton a estudantes na Dinamarca.

O impasse no Conselho de Segurança da ONU, onde Rússia e China mantêm a decisão de vetar qualquer iniciativa externa em relação ao conflito, levou a Casa Branca a reafirmar o compromisso do presidente Barack Obama com os organismos multilaterais.

Na véspera, Susan Rice havia sugerido que, diante da paralisia, "os países-membros e a comunidade internacional terão apenas a opção de considerar se estão preparados para tomar ações fora da autoridade do conselho". O porta-voz de Obama, Jim Carney, reiterou que o presidente está "horrorizado" com o massacre de 108 civis na última sexta-feira, em Houla, mas ponderou que "apesar de seu enorme poder (militar)", os EUA devem "trabalhar com os parceiros e aliados" no esforço de conter a matança.

Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado da Flórida, Eric Wiebelhaus- Brahm, Obama prefere agir no âmbito da ONU, como destacou na campanha vitoriosa à eleição presidencial de 2008. "O governo poderá dizer que a Rússia e a China estão obstruindo a ação.

Mas é altamente improvável que os EUA intervenham unilateralmente no conflito, embora haja uma chance de o país ajudar os rebeldes", disse o especialista ao Correio.
Investigação Resultados preliminares de investigações feitas por observadores da ONU apontaram "fortes suspeitas" da participação de milícias pró-Assad no massacre de Houla.

Já as autoridades sírias acusam "grupos armados" pelas 108 mortes. De acordo com o general Kassem Jamal Sleimane, chefe da comissão oficial de inquérito, os executados seriam civis que teriam se recusado a lutar contra o governo. Militantes da oposição denunciaram ontem novos bombardeios do Exército sobre a área central da cidade, além de ataques às localidades de Taldo e Kafarlaha, de onde 90% dos habitantes teriam fugido.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

BluePex : Brasil precisa produzir seu próprio antivírus

São Paulo – A BluePex é uma pequena empresa de soluções de segurança, com sede na cidade de Campinas, interior de São Paulo. No final do ano passado, ela ganhou uma grande missão: desenvolver um antivírus 100% nacional capaz de proteger os 60 mil computadores do Exército Brasileiro.

Ulisses Penteado, gerente de operações da BluePex, é um dos responsáveis pelo desenvolvimento do software de segurança, chamado AvWare Defesa BR. Quando alguém lhe pergunta se isso não é um negócio arriscado, já que existem empresas famosas e com soluções bem estabelecidas no mercado, ele não titubeia e diz: `Não quando o parceiro é o Exército Brasileiro`.

Nesta entrevista, ele conta quais são os desafios para vencer essa missão. E, principalmente, como ele vai tentar transformar o antivírus num sucesso e deixá-lo entre os cinco mais vendidos do país.
Como transformar um produto com menos de dois anos de vida em um software capaz de proteger computadores com informações delicadas e críticas, como os do Exército?

O software realmente é novo, principalmente quando comparado às soluções tradicionais do mercado. Mas com a parceria do Exército, a BluePex segue finalmente o caminho que muitas empresas de antivírus trilharam: o de poder trabalhar em conjunto com grandes especialistas, que são muito bem preparados e capacitados em desenvolvimento de sistemas fortes e resistentes a ataques digitais. Com o apoio deles, o AvWare Defesa BR passa por testes avançadíssimos que medem sua capacidade de proteção. Por causa desses processos, o software está muito aprimorado e avançou muito em relação às suas primeiras versões. É um software diferente, diria. Já se encontra num nível similar e, dependendo do ponto de vista, até mais avançado do que os estrangeiros.
Qual tecnologia o faz diferente dos antivírus tradicionais e de empresas multinacionais?
O AvWare Defesa BR é obviamente preparado para detectar vírus de todos os tipos. Só que ele tem uma grande base capaz de detectar vírus que só costumam circular pelos computadores brasileiros e que, geralmente, visam a informações bancárias ou a roubo de informações. Além disso, ele tem um módulo de captura remota de telas. A solução pode interessar a empresas que precisam monitorar seus empregados.
Como vocês ganharam a licitação do Exército?

Para a licitação de software de segurança de PCs, o Exército colocou no edital que a empresa fornecedora de antivírus deveria ser obrigatoriamente brasileira. E que a tecnologia também deveria ser. A BluePex e mais uma empresa se qualificaram para a disputa. No final, a gente acabou levando a licitação, no valor de 800 mil reais, por termos atendido os requisitos. Temos até o final deste ano para instalar o AvWare Defesa BR nas 60 mil máquinas do Exército. No momento, ele roda em alguns computadores, já que está em processo de homologação.
E quais os desafios desse projeto?

Eu diria que é deixar o AvWare redondo, ou seja, com uma interface intuitiva, rápido e muito eficiente na proteção. Ele terá que funcionar bem em um parque de computadores com diversas configurações. E chegar ao ponto certo é um pouco trabalhoso, porque exige vários testes e levar em conta opiniões de diversos usuários. Mas como a equipe de tecnologia do Exército nos auxilia bastante, estamos conseguindo evoluir bem.
Por que o Exército preferiu uma solução nacional incipiente ao invés de uma solução já estabelecida no mercado?

O Exército Brasileiro quis uma empresa brasileira por dois motivos. O primeiro deles é para fomentar a tecnologia nacional. As Forças Armadas de qualquer país têm esse viés de desenvolver os vários ramos industriais. E com as brasileiras não é diferente. O segundo, e talvez mais importante deles, é que o exército não quer mais trabalhar com empresas estrangeiras. Elas, numa possível guerra cibernética, poderiam demorar para atender as demandas do Brasil. E, também, favorecer seus governantes – numa guerra, tudo pode acontecer. Outro motivo é que uma empresa nacional, como a BluePex, pode criar um centro de atendimento específico pra o Exército – desse modo, o suporte é rápido e o quartéis não vão precisar enviar arquivos infectados para serem analisados em outro país.
Como o Exército será capaz de ajudar a BluePex?

Ele já colabora com seu conhecimento para deixar o antivírus mais poderoso. E a ideia é usar essa parceria para dizer aos consumidores brasileiros que um software nacional protege os 60 mil computadores do Exército do país. Isso nos dá credibilidade e, obviamente, sensibiliza muito consumidor. Afinal, o Exército é um órgão que exige muita segurança e seriedade dos seus fornecedores. E com a gente não está sendo diferente.
A empresa espera chegar onde com o AvWare Defesa BR?

Com o contrato do Exército, a BluePex aprimorou bastante os seus processos para atender uma base grande de computadores que têm o antivírus. Até o ano passado, a gente não sabia muito bem como lidar com isso. Agora, estamos com servidores robustos, equipes treinadas e capacitadas, uma equipe de engenharia afinada para entregar um bom nível de serviço para os usuários do nosso antivírus. Isso nos dá confiança para encarar outras licitações públicas e oferecer nossa solução no mercado corporativo. Nossa ideia é estar, em pouco tempo, entre os cinco melhores antivírus do país.

Novo caça da Mitsubishi: o Espirito Divino que defende o Japão

A alternativa japonesa
No início de maio, o Japão encomendou os primeiros quatro caças F-35 norte-americanos. Nesta década, o Japão pretende comprar 42 máquinas deste tipo, continuando após 2020, mas esses planos podem mudar em caso de êxito no desenvolvimento de seu próprio caça japonês, que promete superar o F-35 no conjunto de características.
O novo avião japonês, desenvolvido no âmbito do programa ATD-X (Advanced Technology Demonstrator-X), é relativamente pouco conhecido, e até recentemente sua realização na prática era posta em questão.
O projeto de desenvolvimento foi iniciado em 2004, e ao mesmo tempo foi atribuído ao programa o código ATD-X: o novo avião era considerado um demonstrador de tecnologia, e não se falava da sua utilização prática.
Os voos do novo caça russo T-50 em janeiro de 2010 e do chinês J-20 um ano depois, deram um novo impulso ao trabalho dos japoneses. A incapacidade de adquirir caças F-22 junto com as perspectivas indefinidas (até agora) do F-35 e as capacidades limitadas dessa máquina, levaram as autoridades japonesas a aumentar o financiamento do projeto ATD-X.
Em março de 2012, a fábrica da Mitsubishi em Tobishima, perto da cidade de Nagoya, começou a montagem do primeiro protótipo do ATD-X para testes estáticos. No ano seguinte deve começar a construção de três protótipos voadores, e o primeiro voo do novo caça Mitsubishi, apelidado de Shinshin (a tradução mais próxima do sentido dos hieróglifos ?? que compõem seu nome é “espírito divino”), é esperado em 2014.
Como ultrapassar as limitações?
O caça F-35A que o Japão pode (e planeja) comprar nos EUA tem algumas limitações significativas. Em particular, ele não tem alta capacidade de manobra, tem uma velocidade de cruzeiro subsônica, não tem radar lateral. Em conjunto, isso leva muitos especialistas a avaliar o potencial do F-35 como menor mesmo em comparação com as atuais máquinas de série da geração 4++, como o Su-30MKI e o Su-35S, e como significativamente menor que o F-22 e, potencialmente, o T-50.
Entretanto, os adversários mais prováveis do Japão – a China e a Rússia – estão atualmente rearmado sua aviação com máquinas avançadas de quarta geração, e deverão receber aviões de quinta geração já nos próximos 10 anos. O potencial do projeto chinês J-20, por enquanto, é questionável, mas a probabilidade da força aérea chinesa de obter caças de quinta geração é uma ameaça bastante grande.
Assim, o projeto ATD-X deve dar à força aérea japonesa um novo avião que não terá as limitações do F-35 causadas pelo desejo de construir uma plataforma versátil que atenda aos requisitos de todos os tipos de aviação. Restrições financeiras e tecnológicas não têm muita importância – o Japão é um país bastante rico para poder se permitir até mesmo um caça muito caro, e seu nível tecnológico torna possível desenvolver em um período razoável de tempo todo o equipamento necessário para as novas máquinas, incluindo o motor.
Futuro provável
Tendo em conta o tempo que todos os estados com aviação geralmente levam para desenvolver equipamento militar, o novo caça japonês, se o primeiro voo for realizado em 2014, entrará em série limitada não antes de 2017-18, e em produção em massa – mais próximo de 2020-21. Por esta altura, o Japão irá receber caças F-35 de combate, que entrarão em serviço da força aérea em 2016. Se as características do “Espírito divino” forem bastante altas, no futuro, o Japão poderá deixar de comprar F-35 em larga escala, fazendo uma aposta em sua própria indústria aeronáutica.
Além disso, se o Japão conseguir desenvolver seu próprio motor e tornar o projeto totalmente independente do fornecimento de peças críticas, será possível também sua exportação – pelo menos para diminuir o preço de uma unidade com o aumento dos volumes de produção

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Israel está preocupado com transferência de tecnologias militares dos EUA para Brasil


Os Estados Unidos estão intensificando seus esforços no mercado de armas na América Latina, especialmente no Brasil, e eliminam restrições à transferência de tecnologias. Estes passos levantam preocupações em Israel, sendo que poderia criar grande problemas para indústria de defesa israelita, informa o Israel Defense.
Recentemente todos os ramos da indústria de defesa de Israel têm intencificando sua presença na Ámerica Latina devido à sua grande potencial comercial. Em particular, tal empresas como Elbit Systems e Rafael entraram no mercado e ainda adquiriram várias subsidiárias no Brasil.
Entretanto, uma eliminação de restrições à transferência de tecnologias norte-americanas pode afetar negativamente o negócio dos fabricantes de sistemas de armas israelitas

sábado, 19 de maio de 2012

LEÔNIDAS - Comissão da Verdade é ‘moeda falsa’

Ex-ministro do Exército do governo José Sarney, o general da reserva Leônidas Pires Gonçalves atacou a presidente Dilma Rousseff e a Comissão da Verdade instalada na quarta-feira, em solenidade no Palácio do Planalto, classificando-a de “uma moeda falsa, que só tem um lado” e de “completamente extemporânea”. Ao Estadão , Leônidas disse que a presidente Dilma deveria ter “a modéstia” de deixar de olhar o passado e olhar para frente, “para o futuro do País”. Recolhido em sua residência, Leônidas, que está com 91 anos, evita fazer declarações à imprensa, mas fez questão de falar sobre a instalação da Comissão da Verdade por considerar que os militares estão “sendo injustiçados” e não vê quem os defenda no governo. Segundo ele, quando Nelson Jobim era ministro da Defesa havia um interlocutor. “Ele se colocava”, disse. “Mas o seu sucessor, Celso Amorim, que deveria se manifestar está ligado ao problema.” O general se diz indignado com o que define como “injustiça que está sendo feita com o Exército”. Para ele, a Força está sendo “sumariamente julgada e punida”.

Mas Leônidas defendeu a liberdade de expressão. “Que se respeite a minha opinião. Aqui é uma democracia. A palavra é livre e isso foi graças à nossa intervenção”, reagiu. Para ele, “embora o discurso seja de que não haverá punição com esta Comissão da Verdade, já estão promovendo a maior punição ao Exército, que está tendo o seu conceito abalado injustamente”. O ex-ministro do Exército acha que os comandantes militares deveriam falar em defesa da categoria e espera que eles, pelo menos, estejam levando a insatisfação dos oficiais aos demais integrantes do governo em relação à Comissão da Verdade. Leônidas declarou ainda que os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica “têm de orientar como os militares que forem chamados à comissão devem se comportar”.

Convite. O general da reserva não acredita que será convidado a depor na comissão. “Não há ra- zão para eu ser convidado”, de- clarou ele, citando que no tempo em que o DOI-Codi do Rio de Janeiro esteve vinculado a ele, entre abril de 74 e fevereiro de 77, “nunca apareceu nada nem ninguém que tivesse alegado ter sido torturado”. E emendou: “Eu já desafiei que alguém se apresentasse na TV e nunca apareceu nada”. Nas declarações feitas ao Estado, o ex-ministro – que foi um dos avalistas da posse do presidente Sarney, quando Tancredo Neves morreu, garantindo a transição de um governo militar para o civil – diz que a presidente Dilma Rousseff tem que “esquecer o passado, olhar para a frente” e se preocupar com o futuro do País. O general Leônidas Pires rechaçou a possibilidade de a Lei de Anistia ser revogada, como um segundo passo, depois de a comissão da Verdade fazer seu trabalho, por conta de pressão das esquerdas. “Isso não tem cabimento. A não ser que exista vontade expressa do revanchismo.” Para ele, “é impossível mexer na Lei da Anistia, que foi fruto de um acordo no passado e que já foi chancelada pelo Supremo”. E emendou: “Se quiserem fazer pressão no Supremo, o poder moderador tem de entrar em atuação no País”.

sábado, 12 de maio de 2012

Caças da FAB atacam e destroem pista clandestina na Amazônia durante Operação Ágata 4

Dois caças A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira atacaram, às 12h deste sábado (12), uma pista clandestina a 218 quilômetros de Boa Vista, capital de Roraima. O local foi atingido por bombas aéreas de fins gerais BAFG de 230 quilos.
A ação foi acompanhada em tempo real pelo Comando da Força Aérea na Operação Ágata 4. “Esta pista, que era usada pelo garimpo irregular e ajudava a causar danos ambientais naquela região, está interditada. Nenhuma avião consegue pousar ali”, afirma o Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da FAB na operação.

A operação de destruição, foi executada pelos caças do Esquadrão Escorpião (1º/3 º GAV). “Foram empregados dois caças A-29 que se aproximaram da pista a 1,2 mil metros de altitude e iniciaram um mergulho até 600 metros, a altitude ideal para o bombardeio. As bombas foram lançadas e atingiram o solo a uma velocidade de 550 quilômetros por hora. O ataque foi muito preciso”, afirma o Tenente Coronel Mauro Bellintani comandante do Esquadrão Escorpião. O armamento utilizado é conhecido como Bomba de Baixo Arrasto para Fins Gerais ou (BAFG 230). Com 2,22m de comprimento e 27 cm de diâmetro, o artefato é produzido no Brasil e pesa 500Kg. A seleção da pista que foi destruída é uma ação conjunta da Operação Ágata 4 que envolveu além da Força Aérea Brasileira a FUNAI, a Polícia Federal e o Exército Brasileiro.

Um Projeto de Força - Aquisição dos CC Leopard 1A5Br

O presente artigo, de caráter estritamente pessoal, tem por objetivo analisar os benefícios trazidos para o Exército Brasileiro (EB) com a recente aquisição das Viaturas Blindadas de Combate (VBC) Leopard 1 A5, atualizar o leitor sobre o andamento do projeto e sintetizar as principais lições aprendidas até a presente data.

1. INTRODUÇÃO

O Exército Brasileiro possui uma das mais notórias histórias relacionadas ao emprego, desenvolvimento e aquisição de veículos blindados no mundo. Iniciada na década de 20 do século passado com a aquisição de uma Companhia de Carros de Assalto FT-17, o país empregou seus meios blindados nas revoluções e revoltas internas ocorridas durante o século XX, na Segunda Guerra Mundial, em Forças de Manutenção da Paz e em Operações de Garantia da Lei e da Ordem.

Sempre acompanhou de perto as inovações introduzidas nos meios blindados, seja na parte técnica, seja no emprego, desenvolvendo e estudando estas inovações e atualizando sua doutrina de emprego, enviando oficiais e praças ao exterior para intercambiar experiências com outros exércitos e divulgando os ensinamentos adquiridos. Sempre buscou incluir a indústria nacional na busca das demandas relacionadas aos blindados, seja por meio do financiamento de projetos, seja nas atividades de logística. Neste contexto, este artigo pretende informar ao leitor sobre os benefícios e as experiências trazidas para a Força com a recente aquisição das VBC Leopard 1A5 do Exército da República Federal da Alemanha.

2. DESENVOLVIMENTO


a. A complexidade do Carro de Combate Moderno

Antes de mais nada, é necessário que o leitor compreenda a complexidade de um blindado moderno. Os conflitos atuais deixaram de empregar este meio de modo massivo, exigindo seu emprego de modo pontual para resolver situações que exijam grande mobilidade, proteção blindada e poder de fogo. Como consequência, necessitou-se aumentar o aparato tecnológico embarcado, com meios que garantam a sua precisão, que aumentem a capacidade de resposta imediata, incluindo meios de
C4ISR[1], e com uma blindagem que permita a sobrevivência da tripulação, caso atingido por minas, armas anti-carro ou IEDs[2].

Em resumo, um blindado moderno assemelha-se muito a um avião: quem vê de fora não faz idéia da complexidade dos sistemas que o compõem. Neste sentido, a aquisição das VBC Leoapard 1A5, mais que uma simples compra de material de emprego militar, está aportando uma série de experiências que colocam o EB num rol muito seleto de países que conseguem manter um blindado moderno operando num conflito, com todas as demandas logísticas e operacionais que isto requer.

b. A Aquisição e suas inovações

Diferentemente de outras aquisições realizadas anteriormente, onde o material é subministrado diretamente de empresas produtoras, o EB contratou o Ministério de Defesa da República Federal da Alemanha para realizar a compra de empresas alemãs. Este fato foi decisivo para corrigir problemas vividos em aquisições anteriores quando, vencida a garantia do produto, a Força estava, de certa forma, à mercê de empresas fornecedoras. Foi empregada toda uma sistemática de aquisição, com uma garantia baseada em parâmetros de utilização do carro pelo Exército Alemão, que está aportando bastante conhecimento e experiência para o EB no gerenciamento de seu material. Algumas das principais inovações introduzidas são:

1) Aquisição de uma “família de blindados”

Pela primeira vez, o EB adquire carros de combate dentro de um conceito mais amplo, incluindo não somente os carros de combate, mas também os veículos de apoio (sistemas operacionais logístico e mobilidade, contra-mobilidade e proteção) usando o mesmo chassi da viatura de combate.

2) Modificações na infra-estrutura

As características das viaturas impuseram às suas OM detentoras toda uma reestruturação para adequação de suas instalações às necessidades de manutenção e operação do carro, trabalho iniciado com o recebimento das VBC Leopard 1A1 oriundas da Bélgica e transferidas para aquartelamentos do Rio de Janeiro, posteriormente para outros no Rio Grande do Sul e Paraná. O EB teve que investir na construção e adequação de instalações para viabilizar a manutenção e mesmo a circulação das viaturas.

Só para se ter uma idéia das dificuldades, a troca de óleo do motor das VBC Leopard só pode ser feita com o motor fora da viatura, o que requer a instalação de pontes rolantes com capacidade mínima de 7 toneladas e com oficinas que tenham um pé direito adequado à permitir a retirada do motor. Ademais, foram readequadas as garagens, rampas de lavagem e instalações de suprimento.

3) Aquisição de um Suporte Logístico Integrado (SLI)

Um dos principais gargalos enfrentados quando da aquisição de blindados é garantir um fluxo de suprimento que permita viabilizar seu funcionamento durante o tempo de garantia e que o mantenha funcionando durante toda a sua vida útil. Nesta compra, o EB não se limitou a adquirir o material e o suprimento para o carro.

Adquiriu, junto com ele, um SLI, que é um conceito logístico bem mais amplo, envolvendo toda uma garantia de fornecimento dos suprimentos, percentuais de disponibilidade (que atualmente garante uma disponibilidade de 70 % dos meios) e tempo de fornecimento de ítens. Para viabilizá-lo, requereu a instalação de dois escritórios: um brasileiro, na empresa contratada (atualmente a KMW da Alemanha) e outro da empresa no Brasil, em funcionamento no Pq R Mnt/3, em Santa Maria-RS.

Instalou, ainda, um sistema de gerenciamento informatizado, onde o mecânico solicita o suprimento on-line, recebendo o ítem alguns dias depois. Os conceitos de depósito alfandegados, antes restrito à aviação, foram extendidos aos blindados. O leitor pode tentar inferir bem o impacto destes novos conceitos num ambiente antes habituado a uma borocracia e uma espera sem fim por suprimentos, e o esforço que isto está requerendo dos operadores logísticos do EB, uma verdadeira revolução silenciosa, com capacidade de extensão a todas as demais aquisições futuras.

4) Mudanças na sistemática da manutenção
A sistemática de manutenção para manter a frota a 70% , juntamente com os conceitos do SLI tiveram que sofrer modificações interessantes. As definições precisas das tarefas que devem ser feitas em cada escalão, suas periodicidades e as competências que os operadores devem possuir para realizar sua tarefa ocasionaram uma intensificação no apoio direto. Frequentemente se vê, nas oficinas das unidades, operadores das empresas (apelidados pelos militares de homens de azul) trabalhando na manutenção dos veículos.

5) Capacitação dos recursos humanos
Outro avanço significativo desta compra foi o elevado investimento feito pelo EB na capacitação dos recursos humanos, tanto técnica como taticamente. A compra incluiu, além de cursos para a capacitação inicial dos operadores, uma série de outros meios: sistemas de simulação, fornecimento de manuais adequados, softwares de gerenciamento e oferta de cursos para a busca de um aperfeiçoamento e melhoria do conhecimento. De todos estes, a grande estrela do momento, sem dúvida, são os sistemas de simulação.

A capacitação em sistemas complexos e custosos tem na simulação virtual um importante aliado. Cada centavo investido neste ramo tem um retorno garantido, pois permite treinar o operador em situações normais e em situações extremas, que somente poderiam ser vividas em situações reais e com risco ao operadores e ao equipamento. Foram os seguintes os tipos de simuladores adquiridos pelo EB:

(a) De simulação virtual

- Treinador Sintético Portátil - TSP - permite simular uma guarnição de carro de combate, e treinar os operadores em cada uma de suas funções, com exceção do municiador. Foi adquirido um conjunto para cada Regimento, além de mais 3 conjuntos para o Centro de Instrução de Blindados CIBld, totalizando 7)

- Treinador Sintético de Blindados -TSB - permite simular em ambiente confinado o comandante do carro e o atirador, e, no seu exterior, o motorista. Podem ser integradas aos TSP e simular o combate de até uma subunidade, com todos os seus apoios (apoio de fogo, engenharia, etc) contra um inimigo virtual, em um cenário bastante amplo com localidades, campo, rodovias, etc.

(b) De simulação construtiva
- Simulador de Procedimentos de Torre – SPT - foram adquiridos dois tipos de simuladores deste tipo: as de manutenção, destinada a treinar os mecânicos ( uma para o Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar) e as de procedimentos (uma por Regimento e para o C I Bld, totalizando cinco) destinada a treinar a guarnição nos procedimentos mais habituais da torre e panes.

- Simuladores de procedimentos para motoristas - destinados a treinar os motoristas nos procedimentos mais habituais ocorridos na cabine do motorista ( dois por Regimento e uma para o C I Bld, totalizando nove ).

(c) De simulação viva
- Dispositivo de Simulação de Engajamento Tático - DSET - destinados a realizar treinamento de tiro contra um alvo ou contra outro blindado. Simulam, por meio de feixes laser, a trajetória da munição e acerto do impacto, permitindo o duelo entre blindados. Foram adquiridos um total de 42, todos no CI Bld, à disposição dos regimentos, para que estes realizem seus treinamentos e adestramento de tiro.


c. Lições Aprendidas

Obviamente, nem todo o previsto tem sido perfeitamente executado conforme o planejado. E isto também tem de ser entendido como um benefício: as correções de rumo e aperfeiçoamento das atividades têm sido uma constante durante o processo. Os problemas surgidos vêm sendo tratados por todos como desafios a vencer, e têm gerado benefícios para ambas as partes.

Os problemas passam pela administração de pessoal (disponibilidade de mecânicos, qualificação de especialistas, falta de conhecimento a respeito de componentes específicos, domínio de idiomas) e de material (deficiências de infra-estrutura, falta de ferramental, demora no recebimento de suprimentos, dificuldades de transporte).
As empresas alemãs, em especial a KMW, está ampliando seus negócios no Brasil, e visa abranger um mercado bem mais amplo por meio de sua sucursal brasileira, a KMW do Brasil, com sede em Santa Maria-RS.

Tem, portanto, todo o interesse estratégico de que o contrato e a aquisição sejam bem sucedidos. O EB, por sua parte, vêm buscando colher os ensinamentos e transformá-los em conhecimentos adquiridos, corrigindo os rumos e gerindo os problemas, de modo a anular eventuais danos causados. A experiência adquirida tem potencial de aplicação a todos os materiais de emprego militar por ele posteriormente utilizados.

3. CONCLUSÃO


A aquisição das VBC Leopard 1A5 pelo EB foi muito mais que a compra de um novo material de emprego militar: gerou mudanças relevantes no gerenciamento dos meios, na aquisição de suprimentos, na infra-estrutura de organizações militares, na qualificação de pessoal e na introdução de modernos meios de simulação.

Possibilitou um salto qualitativo nos meios e no adestramento da tropa blindada, colocando o EB em um grupo muito seleto de nações: as que são capazes de operar e manter um blindado moderno.

Por meio dela, ainda, o país aumentou consideravelmente seu poder de combate terrestre. Os Regimentos de Carros de Combate da Força Terrestre se tornaram quaternários, dotados de um carro de combate moderno, capacitado ao combate noturno e ao tiro em movimento e com aumento considerável de sua potência de fogo, pelo aumento do calibre de seus canhões de 90 mm para 105 mm. Ademais, passou a contar com carros de apoio e com um suporte logístico eficaz.

A experiência, que ainda vem sendo adquirida cada dia, está longe de terminar e ainda há muito o que fazer. Entretanto, a sua utilização para novas aquisições, como agora realiza o EB com a Nova Família de Blindados Sobre Rodas Guarani não pode ser desperdiçada. Ambas são atividades relevantes, que vão dotar o Exército Brasileiro, a médio prazo, das competências necessárias para manter sua força blindada com altos níveis de operacionalidade, permitindo com que a nação faça uso dela quando necessário.


Aço!

[1] Termo em inglês Command, Control, Communications, Computers, Intelligence, Surveillance and Reconnaissance. Se refere a equipamentos que viabilizem o comando, o controle, as comunicações, que interliguem e empreguem computadores e trabalhem em proveito da inteligência, da vigilância e das ações de reconhecimento em proveito de seus usuários.

[2] Termo inglês Improvised Explosive Devices, Dispositivos Explosivos Improvisados.

* Tenente Coronel de Cavalaria Marcelo Carvalho Ribeiro - Comandante do Centro de Instrução de Blindados (C I Bld) - Santa Maria/RS

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ABIMDE - Intermedia Contatos no Encontro de Indústrias de Defesa Brasil-Turquia

O Ministro da Defesa do Brasil, embaixador Celso Amorim, e o Ministro da Defesa da Turquia, Ismet Yilmaz, estiveram reunidos na segunda-feira (7), no Comando Militar do Sudeste (CMSE), em São Paulo, onde assinaram memorando de entendimento entre os dois países.

Durante o discurso feito no Encontro de Indústrias de Defesa Brasil-Turquia, o ministro brasileiro disse que o país tem muitas oportunidades de cooperação na área de defesa, uma vez que está redespertando para as necessidades desse setor. “Temos muitas fronteiras e temos de cuidar delas adequadamente. Não sabemos que situações podemos encontrar no futuro. Não temos inimigos, nem adversários, mas temos muitos recursos naturais. Temos de estar preparados para situações que exijam de nós ações de dissuasão”, comentou o Ministro Amorim

Amorim disse ainda que o fato de o ministro turco ter aceitado o convite para trazer uma comitiva com representantes do MD e de empresas daquele país, pouco depois da visita da comitiva brasileira, significa que há um grande interesse dos turcos pela indústria de defesa nacional. “Desenvolver projetos futuros é o grande foco, não apenas comprar e vender. Os dois países estão desenvolvendo as mesmas tecnologias: VANT, mísseis, projetos para porta-aviões, entre outros. Essa visita é uma grande oportunidade para darmos mais um passo nessa aproximação”.

Já o ministro Yilmaz afirmou que o a Turquia deseja cada vez mais estreitar os laços com o Brasil e colaborar com projetos como o do satélite brasileiro, já que seu país também possui um programa parecido com o que está sendo desenvolvido no Brasil. “Tenho certeza de que passos importantes serão dados para projetos conjuntos”, comentou o ministro turco.

Após a abertura oficial do evento, o vice-presidente executivo da ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Defesa e Segurança), Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, apresentou à comitiva turca e brasileira os números do mercado nacional, seus investimentos, tecnologias e possibilidades futuras.

A ABIMDE intermediou ainda conversas entre empresários brasileiros e turcos e acompanhou, na terça-feira, dia 8, a comitiva estrangeira durante visitas às empresas do setor na região de São José dos Campos, pólo da indústria da defesa no país. “A indústria de defesa nacional vive um momento bastante favorável. Parcerias com empresas estrangeiras podem impulsionar o setor no Brasil”, comentou o vice-presidente da ABIMDE.

Depois da visita ao Brasil, a comitiva do ministério da defesa turca seguiu para Santiago, no Chile.
CARTA DE INTENÇÕES
O Ministério da Defesa Nacional da República da Turquia e o Ministério da Defesa da
República Federativa do Brasil,

Enfatizando seu comprometimento com os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas;
Acreditando que a atmosfera de mútuo entendimento, confiança e cooperação nas
relações internacionais devem ser fortalecidas; e

Considerando as provisões do “Acordo sobre Cooperação em Assuntos Relacionados à Defesa entre o Governo da República da Turquia e o Governo da República Federativa do Brasil”, datado de 14 de agosto de 2003,

Concordam e mostram a intenção de formalizar futuras atividades de cooperação
nas seguintes áreas:
- Aumentar as visitas mútuas dos Ministérios da Defesa dos dois países,
- Trocar experiências e lições sobre assuntos de Defesa,
- Desenvolver cooperação entre as indústrias de defesa dos dois países, incluindo transferência de tecnologia e projetos conjuntos.
A cooperação deverá ser realizada levando em consideração os interesses e as
necessidades mútuas, baseada na reciprocidade.

A presente Carta de Intenções não constitui compromisso juridicamente vinculativo, quer no âmbito da legislação doméstica, quer no âmbito do direito internacional.

Feita em , em de maio de 2012, em dois originais nos idiomas turco, português e inglês, sendo os textos igualmente autênticos.
ISMET YILMAZ
Ministro da Defesa Nacional
da República da Turquia
CELSO AMORIM
Ministro da Defesa
da República Federativa do Brasil

domingo, 6 de maio de 2012

EXOCET - Equipado com novo motor brasileiro é testado com sucesso

A Marinha do Brasil realizou com sucesso o lançamento-teste de um míssil Exocet MM40 equipado com motor desenvolvido, fabricado e certificado pela AVIBRAS em parceria com o líder global em desenvolvimento e fornecimento de mísseis e sistemas de mísseis, o grupo europeu MBDA. Esta é a primeira vez que a Marinha do Brasil realiza um teste desse tipo, que representa a independência do País na obtenção de motores de mísseis antinavio – o equipamento poderá, no futuro, ser utilizado em outros modelos de mísseis, nacionais ou estrangeiros. O teste foi realizado em alto mar, a partir da Corveta Barroso.

Para o Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, Comandante da Marinha do Brasil, o lançamento é um exemplo de programa de cooperação tecnológica que deu certo. “O teste deve ser incluído entre as grandes vitórias da Marinha brasileira nesses últimos tempos”, disse ele. O programa contou com um investimento total de cerca de R$ 75 milhões e foi iniciado em 2008.

O lançamento, ocorrido no dia 18 de Abril 2012, e o desenvolvimento cooperativo entre as duas empresas fazem parte do ciclo de manutenção e renovação do míssil Exocet MM40 e dos planos, por parte da MBDA, de se criar parcerias duradouras com empresas nacionais brasileiras.

O objetivo deste teste de lançamento era verificar e validar o desempenho máximo do novo propulsor de voo. O ponto de chegada foi posicionado no limite máximo de alcance de voo do míssil, sendo alcançado sem dificuldade alguma. Outro detalhe do teste foi a substituição da cabeça de combate do míssil (a carga explosiva) por um sistema de telemetria fabricado pela MECTRON, empresa brasileira que também participou do desenvolvimento. O equipamento permitiu a coleta de dados de todos os parâmetros analisados no teste, em tempo real (velocidade, pressão, trajetória, etc.). Foram também utilizados sistemas de monitoramento interligados incorporados a duas fragatas e três helicópteros da Marinha Brasileira, que monitoraram toda a área do teste.

Como resultado, ficou demonstrado a capacidade da AVIBRAS em relação ao desenvolvimento, fabricação e certificação deste tipo de tecnologia de propulsores do míssil Exocet MM40, bem como a possibilidade de iniciação de produção em série do mesmo. Há também a demonstração de sucesso do esforço cooperativo técnico e humano das diferentes companhias envolvidas neste processo.

“Eu parabenizo o êxito deste lançamento, que reforça a cooperação entre nosso Governo e empresas nacionais e internacionais, bem como abre novos mercados para as empresas envolvidas no programa”, afirmou o presidente da AVIBRAS, Sami Youssef Hassuani.

“Este teste reforça a nossa parceria estratégica com o Brasil, uma potência em destaque no cenário geopolítico internacional”, afirmou Patrick de La Revelière, Diretor Vice-Presidente de Vendas e Exportações da MBDA.

Além dos representantes da MB, VA Ronanldo Fiúza de Castro, Gerente Especial de Mísseis, Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM), Patrick de La Revelière, Diretor Vice-Presidente de Vendas e Exportações da MBDA, Sr Sami Youssef Hassuani, presidente da AVIBRAS, e o Brigadeiro Antonio Hugo Chaves pela MECTRON, o V Alte Walter Carrara Loureiro – Diretor do DSAM.

Sobre a AVIBRAS

Criada em 1961, a AVIBRAS é uma empresa aeroespacial privada 100% nacional. Seus principais focos são integração de sistemas, mísseis, foguetes, veículos blindados e comando&controle. Suas unidades industriais estão localizadas no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, nas cidades de São José dos Campos, Jacareí e Lorena.

Entre outros projetos, atualmente fornece para as Forças Armadas brasileiras o sistema de artilharia ASTROS 2020, composto de veículos blindados, foguetes, mísseis e C4I (sistema de comando&controle), mísseis para a Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil. É também responsável pelo desenvolvimento do projeto da Aeronave Remotamente Pilotada Falcão (também denominado projeto VANT), que visa o domínio pelo Brasil de todo o ciclo tecnológico envolvido neste programa.

Sobre o Exocet

EXOCET é uma família de produtos completa de mísseis anti-navios pesados para qualquer clima, adaptáveis a todos os tipos de plataformas. Ele é disposto em várias versões:

- MM40 - Superfície-Superfície para navios (em uso pelos navios de superfície da MB)
- AM39 - Ar-Mar para aeronaves e helicópteros (adquirido para equipar o helicóptero EC-725 da MB)
- SM39 - Submarino-Superfície (prevista aquisição para o PROSUB – Scorpene)
- BC - Terra-Mar para baterias costeiras

Este míssil da MBDA possui capacidade de lançamento OTH (over the horizon), que permite atingir alvos a longas distâncias, e outras características operacionais, incluindo: sinais baixos, ativação tardia do localizador, modo de vôo “sea skimming” de baixa altitude, alto poder de penetração contra defesas navais aéreas modernas, identificação avançada de alvos e ECCM (eletronic conter-countermeasures).

Sobre a MBDA

Com instalações industriais em quatro países europeus e nos EUA, em 2011 MBDA alcançou um faturamento de € 3 bilhões, com uma carteira de pedidos, em encomendas e contratos futuros, no valor de € 10,5 bilhões. Com mais de 90 clientes das forças armadas do mundo, a MBDA é líder mundial em mísseis e sistemas de mísseis.

MBDA é o único grupo capaz de projetar e produzir mísseis e sistemas de mísseis que atendem toda a gama das atuais e futuras necessidades operacionais das três forças armadas (terra, mar e ar). No total, o grupo oferece uma gama de 45 sistemas de mísseis e produtos de medidas defensivas em operação, além de 15 outros atualmente em desenvolvimento.

Sobre a MECTRON

Fundada a partir da associação de engenheiros oriundos de empresas e instituições de tecnologia de São José dos Campos, a MECTRON atua há 21 anos nos mercados de
Defesa e Aeroespacial, desenvolvendo e fabricando armamentos inteligentes, sistemas aviônicos, radares e equipamentos para satélites. Em 2011, a Mectron passou a integrar a Organização Odebrecht, através da Odebrecht Defesa e Tecnologia, que atua na gestão, desenvolvimento e implantação de projetos integrados na área de Defesa, Segurança Pública e Segurança Nacional.

Para o mercado de Defesa e tendo como principais clientes as Forças Armadas brasileiras, a Mectron desenvolve e fabrica os mísseis ar-ar MAA-1, MAA-1B e A-DARTER, este último em parceria com a África do Sul e outras empresas brasileiras, o míssil superfície-superfície antitanque MSS 1.2, o míssil ar-superfície antirradiação MAR-1 e o ACAUAN, kit de guiamento por sistema inercial e GPS para bombas convencionais. No segmento de Aviônicos, a Mectron desenvolve e fabrica o SCP-01, radar de bordo da aeronave AM-X, em parceria com a empresa italiana SELEX Galileo, e diversos sistemas aviônicos embarcados que possibilitam integrar seus produtos a diferentes tipos de aeronaves como o F-5M, AM-X e Supertucano ALX. Além de sua participação no programa de manutenção e renovação do míssil Exocet MM40, a Mectron tem prestado à Marinha do Brasil serviços de revitalização, telemetria e apoio técnico que possibilitaram o lançamento de mísseis ar-ar AIM-9H a partir das aeronaves A-4 e dos mísseis de defesa-antiaérea ASPIDE a partir das fragatas brasileiras.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ministério da Defesa inicia Operação Ágata 4 com efetivo de 8,5 mil militares na região Norte

Com a participação de 8,5 mil militares e uma centena de agentes civis, o Ministério da Defesa deu início na manhã desta quarta-feira à Operação Ágata 4 – a maior ação conjunta das Forças Armadas – na região Norte, na fronteira com Venezuela, Suriname, Guiana Francesa e Guiana. Nas próximas semanas, tropas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, com a participação da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública, entre outros, estarão patrulhando uma área de cinco mil quilômetros entre a foz do Rio Oiapoque ao município de Cucuí, no estado do Amazonas.

Desta vez, a Ágata será executada a partir do Comando Militar da Amazônia (CMA) e terá, como nas edições anteriores, ações de cunho social, uma vez que a população ribeirinha enfrenta problemas com as cheias do rio Negro e seus afluentes. Ontem (1º), um hospital de campanha da Força Aérea (foto acima) zarpou do 7º Comando Aéreo Regional (Comar) para prestar atendimento aos moradores do distrito de Moura e do município de Barcelos, na região metropolitana de Manaus. Montado numa balsa, o hospital tem capacidade de atender entre 350 e 400 pacientes por dia.

Sob a coordenação do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), a Operação Ágata integra o Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), lançado em junho do ano passado pela presidenta Dilma Rousseff. Em 2012, a presidenta autorizou a realização de três edições da operação.

O vice-presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Defesa, Celso Amorim, devem visitar pontos da Ágata dentro dos próximos dias. No âmbito do PEF, existem duas mobilizações de patrulhamento da fronteira: a Ágata, de caráter pontual, com data marcada para começo e término; e a Operação Sentinela, comandada pelo Ministério da Justiça, que constitui uma ação de caráter permanente nas divisas do Brasil com os países sul-americanos.

Ágata 4

A partir de estudos detalhados, o EMCFA decidiu realizar a quarta edição da Operação Ágata numa área que abrange os estados do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima. Militares e civis buscarão alvos como garimpos irregulares, pistas clandestinas, ações de madeireiros, tráficos de drogas e pessoas, bem como demais crimes contra o meio ambiente.

Ontem, as equipes que participam da missão se reuniram na sede do CMA. Coube ao general-de-brigada Franklimberg Ribeiro de Freitas, chefe do Centro de Operações do CMA, dar as diretrizes para o início da operação. Segundo relato do general, essa edição da Ágata vem sendo elaborada nos últimos meses com a participação de entidades militares e civis. No desenrolar da operação, oficiais da França, da Venezuela e dos demais países da região de fronteira atuarão como observadores das missões.

“Estamos efetivamente prontos para o início da operação. Atuaremos de forma integrada com as demais forças e entidades participantes”, anunciou Franklimberg.

Em seguida, foram repassadas instruções operacionais, bem como a divulgação do cronograma da missão. Depois, o chefe do Comando Militar da Amazônia, general-de-exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, deu ênfase à transparência da operação e afirmou que o comando da Ágata 4 vai privilegiar a divulgação das ações e seus resultados na mídia nacional, regional e local.

Outra ação do general Villas Bôas ocorre nesta quarta-feira, na sede do CMA, com a participação de entidades representativas da sociedade da região amazônica. Foram convidados o governador Omar Aziz; o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes; parlamentares; empresários; e dirigentes sindicais para uma reunião que tem por objetivo apresentar a Operação Ágata 4.

Hospital de campanha

Além da presença militar nas fronteiras, a Operação Ágata 4 tem previstas ações sociais. Ontem, o hospital de campanha da Força Aérea Brasileira (FAB) deixou o píer do 7º Comar e se deslocou para o município de Barcelos, a 490 quilômetros de Manaus. Até 9 de maio, uma equipe de 38 profissionais do serviço médico atenderá moradores nas especialidades de clínica médica, ginecologia, geriatria, pediatria, odontologia, ortopedia e dermatologia. O hospital tem condições de realizar exames de raio-X, ultrassonografia e hemogramas. Os resultados são fornecidos de imediato.

“Caso sejam comprovadas doenças mais graves, os pacientes serão encaminhados a centros médicos de Manaus”, afirmou o tenente-coronel médico Roberto Thury, comandante do hospital de campanha. Ele informou que os equipamentos já foram usados em tragédias no Haiti e México, além do Paraná e Rio de Janeiro, nas enchentes mais recentes.

O comandante do 7º Comar, major-brigadeiro-do-ar Nilson Carminati, disse durante a solenidade de lançamento do navio-hospital que a integração do equipamento será de grande utilidade para as populações situadas nas regiões mais vulneráveis, onde predomina a ausência de assistência médica.

Além do hospital montado numa balsa, a Força Aérea Brasileira (FAB) emprega na Ágata 4 os seguintes equipamentos:
• aviões de alerta aéreo antecipado E-99, que utilizam radares para localizar voos clandestinos;
• caças A-29 Super Tucano capazes de perseguirem e interceptarem voos clandestinos e, desse modo, fazem com que as aeronaves pousem em locais determinados pela FAB;
• aviões de sensoriamento remoto R-99 que utilizam os modernos sensores para localizar pistas clandestinas utilizadas pelo narcotráfico;
• helicópteros H-60 Black Hawk podem decolar com equipe de medidas de controle de solo, especialmente treinada para deter tripulantes de voos ilícitos e preservar provas até a chegada da Polícia Federal;
• radares que se posicionam em pontos estratégicos na função de vasculhar os céus da fronteira em busca de aeronaves suspeitas.
Enchente no Amazonas

A Ágata 4 acontece no instante em que as cheias do rio Negro desalojam moradores na região metropolitana de Manaus e mais 24 cidades do Amazonas. Ontem, no bairro Educandos, na capital amazonense, moradores reclamavam da falta de atendimento. Numa das vielas, a doméstica Ângela Maria Magalhães Moreira contou que teve que abandonar um barraco de madeira com o marido e sete filhos porque a água invadiu a moradia.

O rio atingiu a cota de 29,20 metros, quase 54 centímetros para repetir as cheias de 2009, a maior tragédia nessa região. A funcionária autônoma Suelen Patrícia do Rego Silva – que se alojou com o marido e dois filhos na casa de vizinhos – queixa-se do fato de não poder trabalhar, pois tem de manter a vigília para não perder os móveis e eletrodomésticos.

Nascida nessa comunidade há 66 anos, Vitória Estevam da Silva contou que o lugar sempre teve problemas com as cheias. Ela lamenta a falta de empenho das autoridades. No momento, Vitória espera que a mobilização da Ágata 4 possa chamar a atenção para as necessidades da população e resolver por completo o estado de calamidade dos moradores.

domingo, 22 de abril de 2012

MALVINAS - FALKLANDS - BRASIL Ajudou a Traficar Armas para a ARGENTINA

Na Guerra das Malvinas, em 1982, o Brasil participou de complexa operação clandestina de suprimento de armas para a Argentina, montada pela União Soviética e apoiada por Cuba, Peru, Líbia e Angola, revelam José Casado e Eliane Oliveira. Com base em documentos do Conselho de Segurança Nacional e do Itamaraty, foi possível montar o quebra-cabeça que mostra como a ditadura argentina se valeu de uma ponte aérea de armamento com destino a Buenos Aires, com escalas nos aeroportos de Recife e do Galeão, que chegou à média de dois voos diários. Do outro lado da guerra, a Grã-Bretanha recebia ajuda dos EUA, o que motivou os soviéticos a mobilizarem o ditador cubano Fidel Castro para atuar em favor dos argentinos. E o Brasil, enquanto mantinha o discurso oficial de neutralidade, ajudava o governo do general-ditador Leopoldo Galtieri a receber mísseis e aviões russos procedentes da Líbia.
Ponte aérea montada por URSS e Cuba, com auxílio de Khadafi, teve dois voos diários, via Recife e Galeão
As nuvens prenunciavam chuva forte em Brasília na noite da sexta-feira 9 de abril de 1982. O chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro assistia ao "Jornal Nacional", quando recebeu um telefonema do brigadeiro Saulo de Mattos Macedo, chefe do Comando Aéreo Regional: um avião cubano invadira o espaço aéreo brasileiro.
No mundo da Guerra Fria, Brasil e Cuba não mantinham relações diplomáticas. Por esse motivo, pela manhã, o Itamaraty negara permissão a um voo da Cubana de Aviación rumo a Buenos Aires. Às 20h40m, o chanceler telefonou para o presidente da República, general João Figueiredo. Minutos depois, dois caças decolaram da base de Anápolis - com alguma dificuldade porque a iluminação da pista fora afetada por raios - em direção ao ponto indicado pelos radares, 300 quilômetros a oeste de Brasília.
Seguiu-se um tenso balé noturno a oito mil metros de altitude. Durou tensos 82 minutos. Só acabou quando os pilotos brasileiros anunciaram a decisão de atirar.
O jato russo Ilyushin II 62-M, matrícula CUT-1225, aterrissou em Brasília às 22h12m. Impressionou agentes da Aeronáutica por um detalhe: tinha capacidade para decolar com 165 toneladas de peso e 180 passageiros, mas na cabine estavam apenas três pessoas - o diplomata cubano Emilio Aragonés Navarro, mulher e neto. Só puderam seguir viagem depois de seis horas de negociações entre os governos do Brasil e da Argentina. Nada se sabe sobre a carga.
Navarro chegou a Buenos Aires por volta das 7h de sábado, 10 de abril, com uma mensagem do líder cubano Fidel Castro para o presidente argentino, general Leopoldo Galtieri: oferta de armas e tecnologia de informações, sob patrocínio da União Soviética, para o conflito com o Reino Unido.
Começava uma operação de suprimento clandestino de armas para a Argentina, montada pela URSS, negociada por Cuba, e com participação do Brasil, Peru, Líbia e Angola.
Foi um episódio singular na lógica da Guerra Fria. Os russos mobilizaram Fidel para socorrer uma ditadura militar ferozmente anticomunista, que confrontava o principal aliado dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - o sistema de defesa criado para conter uma eventual invasão soviética na Europa.
Uma semana antes, na madrugada de 2 de abril, os militares argentinos haviam desafiado o Reino Unido invadindo o arquipélago Malvinas, a 500 quilômetros da costa. Pressupondo o apoio dos EUA, Galtieri contara ao embaixador norte-americano, Harry Schlaudemann, sua pretensão de ficar no poder por mais cinco anos, no mínimo. Só não calculara a reação determinada da primeira-ministra Margareth Tatcher - "o homem forte do Reino Unido" aos olhos do presidente Ronald Reagan.
Tatcher recebera em Londres o secretário de Estado dos EUA, Alexander Haig, na noite anterior à interceptação do avião cubano em Brasília. "A menos que impeçamos os argentinos de ter êxito, todos somos vulneráveis", ela comentou, conforme registros oficiais. Haig confortou-a: "Estou seguro de que a senhora sabe que não somos imparciais".
Ela despachara uma frota para as Malvinas, a 13 mil quilômetros de distância. Na conversa, agradeceu o suporte norte-americano, a partir da base da Ilha de Ascensão. Instaladas a 2,7 mil quilômetros da costa brasileira, na altura de Pernambuco, as antenas ali plantadas são os "ouvidos eletrônicos" de Washington no Atlântico Sul.
Antes de se despedir de Haig, Tatcher o conduziu a uma sala da residência oficial. E "deliberadamente" mostrou-lhe retratos de heróis britânicos das guerras napoleônicas, o almirante Horatio Nelson e o general Duque de Wellington - descreveu Haig, impressionado, em telegrama enviado à Casa Branca durante o voo de Londres para Buenos Aires.
Haig fez uma escala em Recife para reabastecer seu avião. Encontrou-se com o então governador de Pernambuco, Marco Maciel, a quem contou que aconselharia aos argentinos negociar, pois seriam vencidos por Tatcher com a ajuda dos EUA.
No dia seguinte reuniu-se com Galtieri. Ouviu do general, que já conversara com o emissário de Fidel, menção às "ofertas de ajuda militar de países não-ocidentais".
A União Soviética redicionara parte dos seus satélites Cosmos para vigilância no Atlântico Sul, onde também mantinha 25 barcos "pesqueiros". A CIA considerava "inusual" esse nível de cobertura soviética na região, mas arriscou um palpite em telegrama a Haig na manhã daquele 9 de abril: "A atividade militar soviética provavelmente ficará restrita aos dados de localização (da frota britânica)".
A Argentina enfrentava um bloqueio financeiro, comercial e militar europeu. Não tinha dinheiro, apenas US$400 milhões em reservas. Também não tinha as armas necessárias. Pagara à França por 14 caças Super Étendard e recebera apenas cinco, com cinco modernos mísseis Exocet. Sem informação de satélites, não poderia localizar navios inimigos - submarinos, nem pensar.
Os britânicos, ao contrário, já recebiam do Pentágono os códigos militares argentinos, imagens diárias e detalhadas das bases e do movimento em Port Stanley (agora Puerto Argentino, capital das Malvinas). Mandaram dois submarinos nucleares para a região, inspirando medo no chefe da Armada, almirante Jorge Anaya, o mais radical da Junta Militar. Desde 1978, Anaya carregava um manuscrito com seu próprio plano para invasão das Malvinas. Na hora da batalha, recolheu a frota aos portos do sul. E não a deixou navegar até o fim da guerra.
Quando Haig voltou a Londres, um Boeing 707 da Aerolíneas Argentinas aterrissou no Rio. Vinha de Tel Aviv, Israel, com destino à base de El Palomar, na periferia de Buenos Aires. Foi conduzido para reabastecimento ao lado de aeronaves civis no aeroporto do Galeão, apesar do porão estar lotado com uma carga de bombas e minas terrestres.
"Gradualmente" - registrou o Conselho de Segurança Nacional em memorando ao presidente Figueiredo--, a Argentina estreitava "seus contatos com o Brasil, em graus diversos de formalidade". E requeria "cooperação em termos mais concretos".
Brasília começou a receber lista de pedidos: créditos e facilidades para operações triangulares de comércio com a Europa; aviões para entrega imediata; bombas incendiárias e munição para fuzis; sistemas de radar e querosene de aviação, entre outras coisas.
O Itamaraty recomendava "tratamento favorável" a quase tudo, enquanto a tensão aumentava no ritmo da marcha da frota britânica pelo Atlântico Sul.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Os discursos, o Exército Brasileiro e as políticas antidrogas na América do Sul

 Nos dias 15 e 16 de abril, ocorreu em Cartagena das Índias, na Colômbia, a 6ª Cúpula das Américas. Três questões imprescindíveis para a estabilidade e paz no continente americano permaneceram sem resolução, sendo elas a inclusão de Cuba nos próximos encontros da Cúpula, endosso ao pleito da Argentina pela soberania das ilhas Malvinas e as políticas antidrogas na região sul americana. Dada a importância da política antidrogas no cenário estratégico mundial e a displicência com que os chefes de Estado têm tratado a temática em fóruns e organismos internacionais, se dará a notoriedade que o tema merece no DefesaNet.

Durante as sessões desta Cúpula, o discurso voltado para a regularização e liberação das drogas foi tratado com ênfase por empresários e endossado por alguns chefes de Estado. Há um consenso no Brasil de que a Estratégia Nacional de Defesa (END) tem que estar em plena harmonia com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento. O tráfico de drogas, além de um problema político, é também um problema social. Cada Estado é livre para adotar o sistema de políticas antidrogas que preferir; porém, é preciso analisar e contrabalançar se os problemas advindos desta opção e a implementação de políticas públicas que operem na remediação destes problemas são mais compensatórias do que o Estado investir na prevenção dos problemas, fortalecendo e aparelhando as suas Forças Armadas. Os famosos “mulas”, pessoas que se prontificam a carregar as drogas em troca de benefícios pessoais e financeiros, são o que mais são prejudicados pelo tráfico. Em geral, são pessoas desesperadas com dificuldades financeiras, desempregadas e/ou baixa escolaridade. Isso significa, na pior das hipóteses, além dos problemas históricos e estruturais que o País possui, será necessário desviar verbas públicas destinadas aos problemas já existentes para a construção de mais presídios. Cientes de que há uma fragilidade sistêmica e estrutural regional no combate ao narcotráfico, ao invés de reunir esforços políticos e militares, inclusive, com a cooperação militar dos EUA, algumas autoridades políticas e empresariais preferem ceder às pressões e ameaças do crime organizado.

A visão que defendo sobre o papel dos EUA na América do Sul, apesar de concordar com os malefícios desta presença militar na região, é do ponto de vista colombiano. Durante anos, este país tem problemas com guerrilha, assim como muitos países da região também o tiveram. No entanto, preocupados, exclusivamente, com os limites fronteiriços e interesses geopolíticos próprios, os governantes brasileiros se isentaram de participar ativamente no combate as ilicitudes, justificando a sua neutralidade pela não intervenção, não ingerência e autodeterminação dos povos. Esta opção brasileira pela não ingerência, tornou ainda mais grave a situação de repressão à guerrilha para os colombianos, à medida que, ao passar do tempo, estes perceberam vantagens no narcotráfico. Isolados politicamente, enfraquecidos economicamente e fragilizados socialmente, as autoridades políticas e militares colombianas não tiveram outra opção a não ser aceitar a insistente ajuda estadunidense no combate ao crime organizado na região.

Dois discursos precisam ser desmistificados no Brasil: o de que o brasileiro é um povo pacífico e o de que o Brasil não deve intervir em assuntos internacionais. Um país que se encontra na posição de terceiro maior na lista da ONU de homicídios não pode ser considerado tão pacífico quanto se discursa interna e externamente. Além disso, embora o Estado de vigilância permanente nas fronteiras esteja sendo cumprindo pelo Exército Brasileiro, qualquer decisão no plano estratégico que seja tomada, de forma isolada, torna ainda mais custoso e mais trabalhoso o cumprimento de sua missão. Ao zelar pelo pelas fronteiras nacionais, desconsiderando políticas de defesa conjuntas com outros países da região, além de adiar e agravar os problemas advindos do narcotráfico tornam os vizinhos receosos e desconfiados quanto às ambições brasileiras na região.

A estratégia de presença nunca foi uma estratégia militar do Exército Brasileiro; mas sim, uma estratégia de ocupação e domínio territorial dos portugueses ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII. A estratégia de presença conquistou na atualidade a conceituação de Exército de Vanguarda, o qual ainda mantém o combate terrestre em módulos de brigada. O monitoramento, o controle e a mobilidade, tal como preconiza a END, fornecerão apoio logístico as forças terrestres. O cumprimento, de forma eficiente, de proteger a Amazônia, por exemplo, se torna inviável sem o aumento, em curto prazo, do efetivo militar na região, sem o devido investimento em novas aquisições tecnológicas militares, sensíveis e duais, sem a realização de simulações, treinamentos e operações militares que combinem ações de selva e o uso de blindados, revisões e novas discussões sobre a Lei do Abate, mais investimentos em mapeamentos cartográficos da região amazônica, a realização de mais operações do Plano Estratégico de Fronteiras, como as edições da Operação Ágata, e, principalmente, sem a aquiescência e revitalização da indústria de defesa brasileira. Para além destas questões, em âmbito regional, políticas de defesa também precisam ser amadurecidas, planejadas e implementadas, tais como operações conjuntas com as outras Armas e polícias da região, criação de um sistema jurídico regional que puna desde o produtor até o consumidor das drogas, (re)discutir a situação jurídica de territórios indígenas na Amazônia Legal, criar comissões regionais de vigilância das fronteiras, criar empresas bi ou multinacionais que possuam a expertise na fabricação de armamentos, maior integração das economias sul americanas, incentivando a compra de bens destes países e contribuindo com a diversificação de suas economias, firmar acordos de cooperação tecnológica na forma de consórcios regionais, formalizar de acordos regionais de monitoramento do espaço aéreo, unificar procedimentos e negociações entre todos os Estados com interesses convergentes, facilitar a aquisição/ venda de produtos estratégicos de defesa, possibilitando que a fabricação ou parte dela seja realizada em outros países e, principalmente, visão estratégica de mercado. É importante frisar esta última questão, principalmente, no caso brasileiro, pois, como se sabe, boa parte dos armamentos utilizados pelas Forças Armadas brasileiras é de origem estrangeira. Os produtos e tecnologias militares produzidas pelas empresas nacionais possuem excelência em qualidade. Para as Forças Armadas brasileiras é muito mais preferível privilegiar a indústria nacional do que a indústria estrangeira; no entanto, há um certo arcaísmo na visão estratégica de mercado de muitas empresas nacionais durante a fase final da fabricação e mesmo no pós venda de que o cliente que se satisfaça com o bem vendido. Em tempos de paz e, principalmente, em um País que não se envolve diretamente e com frequência em conflitos armados, não falir é uma tarefa de persistência contínua e, sobretudo, de criatividade. Na Europa, em especial, há uma tendência das indústrias de defesa em fabricar produtos de acordo com as necessidades dos próprios clientes. Ou as indústrias de defesa brasileiras mudam sua visão estratégica, principalmente, a de mercado, ou se sujeitam a permanecer a mercê das oscilações da política nacional e internacional. Esta flexibilização, apesar das regras contratuais entre as partes envolvidas, permite que as forças militares cumpram com eficiência as missões que lhes foram destinadas e que as indústrias de defesa sobrevivam em tempos de paz.

Em função do sucesso dos esforços conjuntos entre o Ministério da Defesa, da Polícia Federal e da ABIN, a principal rota do tráfico de drogas na Amazônia brasileira deixou de ser o espaço aéreo para serem os 22 mil quilômetros de rios navegáveis. Um dos principais problemas que o Exército tem enfrentado é a falta de treinamento de repressão ao narcotráfico. Como as polícias federais e estaduais já possuem experiência e maior conhecimento no combate ao crime organizado tem trocado experiências e expertises com as Forças Armadas. No entanto, estas possuem treinamento de operações em selva, efetivos militares, armas modernas, aparatos tecnológicos e veículos militares, como tanques, jipes, blindados etc. Este modelo de parceria institucional tem sido a tendência das Forças Armadas brasileiras atualmente, apoiando logística e estrategicamente as polícias federais e estaduais e a ABIN e ampliando parcerias com instituições, como o IBAMA, o ICMBio, o IPAAM, o Censipam entre outros. A este último atribuirei maior destaque por estar completando precisamente neste mês de abril 10 anos gerindo o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), produzindo informações e gerando conhecimentos, alicerçado por um parque tecnológico altamente sofisticado com radares, sensores aeroembarcados, rede integrada de telecomunicações e estações de recepção de dados via satélites que também auxiliam as policias federais e estaduais e as Forças Armadas brasileiras no combate ao narcotráfico na região. Destaque também para o Projeto Radiografia da Amazônia, no qual as Forças Armadas e o Censipam estão produzindo juntos cartas topográficas, náuticas e geológicas do “vazio cartográfico” da Amazônia, área da Amazônia Legal que não dispõe de dados cartográficos detalhados. Além de identificar, monitorar e permitir maior controle de acidentes geográficos na região, este Projeto fornecerá uma importante base de informações que facilitem a implementação de políticas públicas e o desenvolvimento social na região. Isso reforça a importância das articulações de parcerias estratégicas das Forças Armadas com as universidades e instituições de pesquisa de todo o País.

Além dos rios, os criminosos encontram passagens na mata, de um rio para outro. O controle do tráfico nos rios é ainda mais dificultado pela geografia local, em que, além do tamanho da fronteira fluvial, os militares se veem desafiados porque estas malhas fluviais são constituídas parte por savana, parte por selva e parte por água. O exemplo mais emblemático do tráfico de drogas pelas vias fluviais tem sido os 1.200 quilômetros de hidrovia do rio Negro. Além de rota e de distribuição, há a suspeita de que os contraventores estejam refinando as drogas nas imediações de Manaus. Devido à relativa ausência do Estado nestas regiões durante muitos anos, houve um aprimoramento logístico no transporte das drogas, no qual os criminosos tem realizado suas ações desde submarinos, ou melhor, pequenos submersíveis, com reduzidas complexidade e capacidades de submersão e de autonomia. Usufruindo de técnicas e tecnologias sofisticadas, os criminosos têm desafiado as autoridades políticas e militares sul americanas na região amazônica. Embora o Governo brasileiro minimize as preocupações das Forças Armadas com a proximidade de ações guerrilheiras da Colômbia e do Peru com as fronteiras nacionais, o Exército Brasileiro as consideram um risco permanente à soberania nacional. Esta Força tem transferido e mobilizado mais de 3 mil homens para a fronteira com a Colômbia, está criando pelotões especiais de fronteiras, investindo na aquisição de meios de comunicação via satélite e via rádio, como os terminais de dados via satélite Explorer 500 BGAN, e está recrutando soldados entre os próprios nativos da região. Por ser uma área isolada, recrutar os nativos se torna estratégico por dois motivos: evita que estes nativos sejam cooptados pelo crime organizado ou pelas guerrilhas e ninguém melhor do que os nativos para conhecer a geografia, o clima, a fauna e os riscos naturais de uma região tão pouco explorada como essa.

Importante destacar os recentes acordos assinados entre os Governos brasileiro e colombiano para a criação da Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron) e a adoção do Plano Binacional de Segurança Fronteiriça. Se a presença estadunidense na região amazônica está sendo válida para a Colômbia, creio que os colombianos possam responder melhor do que eu; porém, há um consenso regional, ressaltado diversas vezes em fóruns e organismos regionais, que, em função de seu peso político e econômico, o Brasil tem que assumir um papel político, econômico, social e militar na região. Considerando os interesses convergentes de outros países que compartilham geograficamente ou não da região amazônica é necessário que mais Estados americanos se empenhem, mais na prática do que propriamente nos discursos, em ampliar, alinhar e viabilizar políticas de defesa antidrogas na região com o Brasil.

Concluo a coluna de hoje ressaltando que um governo que discursa externamente que combaterá com pleno emprego da força o crime organizado regional; porém, contingência o orçamento das Forças Armadas, não está tratando com a devida seriedade a Defesa Nacional e a Segurança Regional.

Fernanda Corrêa
Historiadora, estrategista e pesquisadora do
Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.