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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Irã anuncia pacote militar em resposta a Israel e aos EUA

O Irã disse ontem ter aumentado sua capacidade de defesa graças a novos mísseis de fabricação nacional e à construção de uma importante base destinada a repelir ataques aéreos contra o país.

Autoridades do regime anunciaram os supostos avanços militares durante a celebração do dia da indústria bélica nacional, numa clara advertência aos arqui-inimigos Israel e EUA, que podem bombardear o Irã.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad e o ministro Ahmad Vahidi (Defesa) participaram em Teerã da cerimônia de apresentação oficial de uma versão atualizada do míssil Fateh-110, testado no mês passado.

Segundo militares, o artefato, cujo nome significa "conquistador" em farsi, é mais preciso e eficiente em condições climáticas adversas que versões anteriores.

Ao contrário de outros mísseis capazes, em tese, de atingir Israel, o Fateh tem alcance de 300 km -suficiente para destruir alvos americanos em países vizinhos.

"Não queremos [usar os mísseis] para a conquista e dominação de países vizinhos e do mundo", disse Ahmadinejad, insistindo em que os foguetes têm função de "dissuasão".

Ahmadinejad e Vahidi também acompanharam a apresentação de um lança-morteiros e de um avião que será usado, entre outras coisas, para testes antirradar e simulação de combate.

Em outra cerimônia, no sul do Irã, perto da cidade de Abadeh, autoridades participaram do início da construção de uma base de 200 hectares que será usada como epicentro da defesa antiaérea nacional. O local, que deverá abrigar 6.000 soldados, servirá para treinamento.

As manobras são vistas por analistas como demonstração de autoconfiança do Irã diante do risco de sofrer bombardeios contra seu programa nuclear, que pode ter fins militares, o que Teerã nega.
Embora seja amplamente considerado a única potência nuclear do Oriente Médio, Israel diz encarar o Irã como ameaça existencial. (
Agência de Notícias - Jornal de Floripa)

Tambores de Guerra - Ameaça de conflito no Irã é real, diz especialista

Na semana passada, vários membros do governo de Israel fizeram declarações duras sobre o Irã. Paralelamente, os departamentos de defesa e segurança israelenses se mostraram prontos para a guerra, divulgando pela primeira vez um eventual roteiro de suas operações militares.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, proclamou a questão iraniana como prioritária e prestou contas do trabalho realizado por seu governo no mês passado para “organizar a defesa do país”, informou jornal russo “Kommersant”.
O ministro do Interior israelense, Yitzhak Aharonovich, disse, por sua vez, que a polícia e os bombeiros também estão prontos. Já o ex-ministro da Defesa israelense, Matan Vilnai, afirmou que o conflito deve se resumir a um confronto de 30 dias em várias frentes (Irã, Faixa de Gaza e sul do Líbano) e que os sistemas de defesa antimíssil Iron Dome (Cúpula de Ferro) e Arrow irão defender seguramente a nação.
“Mas é difícil dizer em que medida essa guerra vai ser iraniano-israelense, porque os principais inimigos geopolíticas do Irã são as monarquias árabes [Bahrain, Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Arábia Saudita]”, afirma Evguêni Satanóvski.
Para ilustrar a situação, o especialista faz uma analogia simples com o barulho de trovão que antecede a tempestade. “E já está trovejando”, completa.
Possíveis roteiros
“É difícil prever se a guerra começará em setembro ou outubro, com um ataque israelense contra as instalações nucleares do Irã, ou no período entre janeiro e julho, isto é, entre as eleições presidenciais nos EUA e no Irã, com um golpe preventivo do Irã contra Israel”, observa Satanóvski.

As eleições presidenciais nos EUA serão realizadas em novembro deste ano, mas a posse do presidente eleito e a formação do governo acontecerão só em janeiro de 2013. No Irã, as votações estão previstas para junho de 2013.
Considerando os interesses do Irã no Paquistão, Afeganistão, África do Norte e nas regiões periféricas, a situação que está se desenvolvendo no mundo árabe e no resto do mundo leva inevitavelmente a uma guerra.
“Sem uma guerra será impossível ‘resolver’ quem é o líder no mundo islâmico, e principalmente no Golfo Pérsico”, explica o presidente do instituto. “O componente ideológico da Revolução Islâmica [no Irã], segundo o qual todo o mal no mundo vem de Israel que deve ser, portanto, destruído, conduziu o Irã a uma armadilha”, completa.
Satanóvski acredita ainda que os incessantes bombardeiros e atentados terroristas contra Israel têm sido orquestrados pelo Irã, e que as duas recentes guerras travadas por Israel teriam sido almejadas contra o Irã. “Para os israelenses, assim que o Irã obtiver uma arma de destruição em massa [o que pode acontecer no início de 2013], o aparato será usado contra eles”.
Segundo ele, as chances de Israel atacar o Irã sozinho são grandes, embora não descarte o envolvimento dos EUA.
“Os israelenses sabem que a chamada comunidade internacional, a ONU e outros organismos internacionais podem traí-los a qualquer momento. Por isso, apostam em suas próprias forças para garantir a segurança do país”, arremata.

E a Rússia, como fica?
Nesse contexto, a Rússia irá simplesmente assumir o papel de observador e conselheiro. Por outro lado, o país deve se preparar para fluxo de refugiados iranianos pelas regiões de Ástrakhan e Daguestão ou até mesmo pelo Azerbaijão e Armênia.
Há o risco, porém, de algum integrante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã tentar estabelecer uma situação semelhante à do sul do Líbano no Cáucaso Setentrional. “Isso pode acontecer em dois ou três meses”, afirma Evguêni Satanóvski.
Paralelamente, o preço do petróleo irá subir. Ainda de acordo com o cientista, o conflito armado com o Irã “poderá reduzir sua participação no projeto de construção do gasoduto Nabucco, que contorna o território russo”. Isso será do interesse da Rússia, que está empenhada em promover seu gasoduto Corrente do Sul

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Rebeldes sírios já têm armas pesadas, confirma diretor da ONU

O diretor do departamento das forças de paz da Organização das Nações Unidas, Hervé Ladsous, confirmou nesta quinta-feira que os rebeldes sírios possuem armas pesadas, embora, segundo ele, a ONU não tenha prova de que elas tenham sido usadas contra forças do governo.
"Nós sabemos que a oposição, de fato, tem armas pesadas", disse Ladsous, que é subsecretário-geral para Operações de Paz, em declaração a jornalistas. Ele não deu detalhes sobre qual seria a origem das armas, mas afirmou que o arsenal inclui tanques e veículos blindados de transporte de pessoal.
Autoridades da ONU e diplomatas dizem que os rebeldes se apoderaram das armas dos soldados sírios que eles sobrepujaram em áreas do país onde assumiram o controle.
Ladsous afirmou não ter provas de que os rebeldes tenham usado as armas contra as forças sírias. O presidente Bashar al-Assad vem recorrendo ao Exército há 17 meses para tentar sufocar o levante contra seu governo.

Síria acusa Turquia de enviar terroristas para guerra no país

A Síria acusou nesta quinta-feira a Turquia de exercer um "papel fundamental" no apoio ao terrorismo por abrir seu aeroporto e sua fronteira à Al Qaeda e a outros militantes islâmicos para promover ataques dentro da Síria.
Aliados no passado, a relação dos dois países rapidamente se deterioraram com a intensificação da repressão do presidente Bashar al-Assad ao levante contra o seu governo, que já dura 17 meses.
O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, pediu que Assad renuncie e montou um acampamento de refugiados ao longo da fronteira para abrigar milhares de sírios em fuga.
Diversos oficiais militares desertaram para a Turquia e o comandante do Exército de Libertação Síria, um grupo de insurgentes que combate as forças de Assad, também está baseado ali.
"O governo turco exerce um papel fundamental no apoio ao terrorismo ao abrir seu aeroporto e suas fronteiras para abrigar elementos da Al Qaeda, jihadistas e salafistas", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Síria em um comunicado veiculado na televisão estatal.
"O governo turco estabeleceu em seu solo escritórios militares onde agências de inteligência israelenses, americanas, catarianas e sauditas dirigem os terroristas na guerra contra o povo sírio", disse o comunicado.
O governo sírio também acusou a França e os Estados Unidos de enviar equipamento de comunicação aos rebeldes.
Fontes norte-americanas dizem que o presidente Barack Obama assinou uma ordem secreta autorizando o apoio dos EUA aos rebeldes que tentam depor Assad.
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Capital privado reforça poderio do exército chinês

O ELP não se pode queixar de falta de financiamento. Nos últimos tempos, o orçamento de defesa aumentou anualmente em mais de 10%, tendo este ano, o aumento da despesa com a defesa sido de 11%. Os gastos da China com a defesa continuam a crescer mais que o PIB. Pequim continua a considerar como prioritário o aumento do poderio militar do ELP, não só não olhando a despesas como também buscando novas fontes de financiamento dos programas de defesa. Desse ponto de vista, é bastante lógico o nivelamento dos direitos dos investidores privados relativamente às empresas estatais que trabalham no setor da defesa.
Agora as empresas privadas terão o direito a participar na conceção e fabrico de armamento, assim como na restruturação das empresas de defesa estatais. Mais tarde será elaborada a lista do armamento em cuja conceção e produção poderão ser utilizados os meios de investidores privados. Entretanto, a resolução ressalva que o acesso a esse setor só estará aberto a investidores da China continental. Até agora eles só podiam fornecer componentes e alguns materiais à indústria de defesa sem participar nos grandes projetos.
Neste momento a China tem em curso uma série de projetos importantes que incluem a criação de novos aviões de combate, a construção de porta-aviões e outros navios de guerra, o desenvolvimento do programa espacial e o reforço das capacidades do exército na guerra moderna das informações com a ajuda de redes informáticas. O acesso do capital privado à indústria de defesa dará ao ELP capacidades acrescidas para um rearmamento tecnológico, considera o perito militar russo Igor Korotchenko:
“É evidente que na nova etapa de desenvolvimento se irão abrir as portas para que o capital privado possa se associar ao cumprimento das tarefas mais importantes da defesa nacional. É preciso sobretudo ter em conta que a exportação de armamento chinês está a crescer de forma ativa em todos os segmentos. Os novos investimentos irão permitir desenvolver as melhorias militares para atribuir ao ELP capacidades acrescidas para a projeção de força e defesa dos interesses nacionais do Império Celestial.”
Segundo os peritos da empresa de análises estadunidense IHS Jane’s, nos próximos cinco anos o orçamento de defesa da China irá duplicar. A análise foi efetuada sem considerar os investimentos privados: se trata só dos gastos com a defesa a serem aprovados. As despesas chinesas com a defesa irão aumentar à medida que Pequim for modernizar os seus caças e outro material militar. Os peritos associam o aumento das despesas com a crescente atividade militar dos EUA na Região da Ásia e Pacífico (RAP) o que, na opinião da China, ameaça os seus interesses estratégicos.

Palestinos criticam Romney por chamar Jerusalém de "capital de Israel"

RAMALLAH, Cisjordânia, 30 Jul(Reuters) - Os palestinos acusaram o candidato republicano à Presidência dos EUA, Mitt Romney, nesta segunda-feira de minar as perspectivas de paz ao chamar Jerusalém de "capital de Israel", ignorando as suas próprias reivindicações sobre a cidade e boa parte da opinião mundial.
Romney usou o termo no domingo, recebendo aplausos da plateia israelense na Cidade Santa, durante uma viagem para se apresentar como principal aliado de Israel antes da disputa eleitoral de 6 de novembro contra o presidente norte-americano, Barack Obama.
"Condenamos as suas declarações. Aqueles que falam sobre a solução de dois Estados devem saber que não pode haver Estado palestino sem Jerusalém Oriental", disse o chefe negociador palestino, Saeb Erekat, à Reuters nesta segunda-feira.
"O que este homem está fazendo aqui é apenas promover o extremismo, a violência e o ódio, e isso é absolutamente inaceitável", afirmou ele. "Suas declarações estão apenas recompensando a ocupação e a agressão".
Israel tomou Jerusalém Oriental durante a guerra de 1967. A Resolução do Conselho de Segurança da ONU condena uma lei israelense de 1980 que declarou Jerusalém a capital "completa e indivisível" do país como uma violação do direito internacional.
A maioria dos países, incluindo Estados Unidos, não reconheceu a declaração de Israel e manteve suas embaixadas na cidade costeira de Tel Aviv.
Candidatos presidenciais norte-americanos anteriores, incluindo o então senador Obama em junho de 2008, referem-se a Jerusalém como capital de Israel antes das eleições, apenas para voltar atrás quando assumem o poder e sugerir que a questão deve ser resolvida por negociações.
Um assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, Nabil Abu Rdeineh, disse que as declarações de Romney eram inúteis, ficavam no caminho de um acordo de paz e "contradiziam as posições anteriores mantidas pelo governo norte-americano".
O secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Yasser Abed Rabbo, disse que "os formuladores de política norte-americanos devem abandonar a hipocrisia e parar de tentar ganhar votos à custa dos direitos do povo palestino".

Putin promete reforçar forças nucleares navais do país

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, supervisionou o início da construção de um submarino nuclear de nova geração e prometeu reforçar as forças nucleares navais do país, principalmente para proteger os interesses russos na região do Ártico, rica em petróleo.
Putin comandou a cerimônia de início da construção do submarino Príncipe Vladimir, cujo nome homenageia o fundador do Estado precursor da Rússia moderna. Esse será o quarto submarino da classe Borei, projetado para transportar um dos mais novos e poderosos mísseis nucleares intercontinentais do país, o Bulava (clava)
"Acreditamos que nosso país deveria manter seu status como uma das principais potências navais", disse Putin a comandantes militares e funcionários do governo no estaleiro Sevmash, no norte da Rússia. "Antes de mais nada, estamos falando no desenvolvimento da parte naval das nossas forças estratégicas nucleares, e o papel da Marinha em manter nossa paridade nuclear estratégica."
Putin está empenhado em fazer dos submarinos e dos mísseis transportados por eles a parte central da Marinha russa, que receberá quase um quarto dos 20 trilhões de rublos (cerca de 620 bilhões de dólares) a serem gastos até o final da década.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Irã prepara lançamento novos sistemas militares, diz ministro


O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, disse hoje (25) que o país está preparado para lançar dois novos sistemas militares. O militar não deu detalhes, mas explicou que a linha de produção iraniana tem 'alta precisão''e envolve mísseis e hidroaviões. O Irã é alvo de suspeitas da comunidade internacional que desconfia da produção de armas atômicas no país.
Porém, as autoridades iranianas negam a produção de arsenal atômico na região. De acordo com as autoridades do Irã, o programa nuclear tem o objetivo de produzir material para fins pacíficos. No entanto, a comunidade internacional não confia nas informações e adotou sanções ao Irã. As restrições incluem sanções comerciais, financeiras, econômicas e militares.
"Nos últimos anos, o Irã tem feito avanços importantes no setor de defesa e alcançado a autossuficiência na produção de equipamentos e sistemas militares", disse o ministro. Segundo ele, o governo se preocupa em assegurar o sistema militar do Irã como meio de garantir segurança em caso de ameaças.

PT e PCdoB criam no Brasil comitê para apoiar reeleição de Chávez

 O PT e o PCdoB, com apoio de movimentos sociais e sindicais, anunciaram na noite desta terça-feira a criação de um comitê para apoiar à reeleição do presidente venezuelano Hugo Chávez. Em ato que aconteceu na sede do partido comunista, em São Paulo, integrantes de ambos e partidos leram um manifesto para prestar "solidariedade e realizar atividades para difundir e alertar o mundo sobre o plano da direita".
A secretaria de relações internacionais do PT, Loli Ilíada, explica que o objetivo é evitar que o concorrente de Chávez nas eleições venezuelanas, Henrique Caprilles Randonski, se apresente como um candidato ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Até essas eleições anteriores, o alinhamento da oposição (de Chávez) com os Estados Unidos era muito claro. Só que existe na Venezuela, como existe em grande parte da América Latina, um sentimento contrário aos Estados Unidos. Por isso, a tática agora é pouco distinta. É não se apresentar como alguém vinculado aos Estados Unidos, mas como alguém vinculado a setores importantes do Brasil. O comitê pode ir desmontando essa articulação", defendeu.
Apesar de ter Chávez ter contratado como marqueteiro político o petista João Santana, responsável pelas campanhas de Lula e da presidente Dilma Rousseff, Ioli nega que o comitê seja parte da estratégia de Santana para levar Chávez à vitória
"Na verdade, nós debatemos essa necessidade num encontro que realizamos agora na Venezuela. Discutimos essa necessidade não só no caso venezuelano, mas no caso paraguaio também. Então isso tem mais a ver com articulação política do que com jogado de marketing. Isso eu posso te garantir", argumentou.
Ainda assim, durante a leitura do manifesto, integrantes do comitê prometeram atrapalhar o sono de Capriles, caso ele venha para o Brasil em busca de apoio. "Se o Capriles vier vai ter escracho contra ele", gritou uma das lideranças do Levante Popular da Juventude, movimento que usou organizou recentemente uma série de manifestações na frente da casa de militares, acusados de tortura durante a ditadura militar.
A próxima reunião do comitê está marcada para o próximo dia 31 de julho, quando o próprio presidente venezuelano deve desembarcar em Brasília, por conta da entrada da Venezuela no Mercosul.
Além de PCdoB e PT, a Central Única de Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) também fazem parte do grupo que irá coordenar as ações do comitê.

Irã acusa Israel de tramar atentado na Bulgária

Uma semana depois de o país ter sido acusado por ser o responsável pelo atentando suicida que matou cinco turistas israelenses na Bulgária, o embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU) revidou e acusou Israel de promover o ataque. A explosão aconteceu em um ônibus estacionado junto ao aeroporto da cidade turística de Burgas, no litoral do mar Negro. O motorista do ônibus, búlgaro, também morreu, e mais de 30 pessoas ficaram feridas.
"É incrível que poucos minutos depois do ataque terrorista autoridades israelenses tenham anunciado que o Irã estava por trás dele", disse o diplomata Mohammad Khazaee num debate do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio. "Nunca nos envolvemos nem nos envolveremos numa tentativa tão desprezível contra gente inocente".
Minutos depois do atentado, Israel atribuiu o atentado ao Irã e ao grupo xiita libanês Hezbollah. O embaixador de Israel na ONU, Haim Waxman, afirmou haver impressões digitais deixadas pelo Irã na trama do atentado e também em dezenas de outros recentes planos terroristas dos últimos meses no mundo todo.
Alguns analistas dizem que o Irã poderia estar tentando vingar as mortes de vários cientistas seus envolvidos no polêmico programa nuclear do país, crimes pelos quais Teerã culpa os Estados Unidos e Israel. Diplomatas israelenses sofreram várias tentativas de atentado nos últimos meses, também atribuídos por Israel ao Irã. "Chegou a hora de o mundo pôr um fim a essa campanha de terror, de uma vez por todas", disse Waxman.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Base marítima no Golfo Pérsico revela nova tática de guerra dos EUA

Antigo navio de guerra renasceu como base flutuante e chegou ao Bahrein para servir de apoio a operações militares e integrar presença das forças americanas na região


Foto mostra o USS Ponce chegando a águas do Bahrein (4/7) - Foto: NYT

Um dos mais antigos navios de transporte da Marinha, agora convertido em uma de suas mais recentes plataformas de guerra, chegou ao Bahrein na semana retrasada para integrar a presença cada vez mais imponente das forças dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, destinada a intimidar o Irã.
O Ponce foi inaugurado em 1966 e seria destruído ao se aproximar do fim de sua vida útil. Mas ele renasceu como uma base flutuante para servir de apoio a importantes operações militares em toda a região - o mais recente exemplo da maneira como os EUA planejam suas táticas de guerra.

A primeira missão do Ponce foi projetada para ser sigilosa e defensiva, para servir como um centro de operações para a remoção de minas do Estreito de Ormuz, um contra ataque à ameaça de Teerã de fechar o canal. Assim, o Ponce servirá como uma plataforma para a decolagem e pouso de helicópteros, uma base para as equipes de mergulho submarino e uma estação de serviço de fornecimento de combustível e manutenção para os navios de varredura de minas.
Mas com a adição relativamente simples de um quartel modular no convés, o Ponce também pode servir como uma base móvel para centenas das forças Operações Especiais responsáveis por missões como resgate de reféns, combate ao terrorismo, reconhecimento, sabotagem e ataques diretos. Mesmo com a adição do quartel, há bastante espaço para os helicópteros e os pequenos barcos que podem ser utilizados pelos soldados.
Aliados e amigos são importantes, mas eles podem vetar missões americanas iniciadas de bases em seu território. O Ponce opera em águas internacionais. Surpresa e velocidade são fundamentais para o êxito militar e o Ponce pode navegar perto de áreas de conflito. Além disso, ter a capacidade de realizar diferentes missões de diferentes ramos das Forças Armadas é mais valioso do que ter uma plataforma de armas que faz apenas uma coisa para um específico setor das Forças Armadas.
Teerã
Os líderes iranianos veem o Ponce de forma diferente, é claro, e atacaram o posicionamento do navio pelos EUA acusando Washington de montar uma esquadra militar provocadora. (Os reforços americanos também incluem a duplicação de caça-minas para oito e a adição de um caça da Força Aérea e alguns jatos na região.) Um comandante da Guarda Revolucionária Iraniana chegou a ameaçar dizendo que seu país responderia às ações militares americanas aumentando o número de mísseis em seu arsenal que possam colocar em risco os navios de guerra americanos e bases aliadas na região.
A Marinha está convencida de que as capacidades do Ponce são essenciais para futuras operações militares e propôs que o Congresso prossiga com um plano de quatro anos e US$ 1,2 bilhões para a construção de dois navios dedicados exclusivamente a servir como "bases avançadas temporárias”. Allison F. Stiller, secretário adjunto da Marinha para programas de navios, disse que os dois navios, agora em construção, foram os primeiros construídos especificamente para esse tipo de serviço.

O primeiro dos novos navios deve ficar pronto até 2015 e o segundo um ano depois, caso o Congresso aprove o orçamento.
Plataforma
Durante décadas, os militares utilizaram diversos tipos de navios de guerra e navios de serviço como plataformas para operações de preparo, seja durante suas campanhas de ataque no pacífico na Segunda Guerra Mundial ou em rios na Guerra do Vietnã. Em um exemplo mais recente, a Marinha esvaziou o porta-aviões Kitty Hawk antes da invasão do Afeganistão em 2001 e o transformou em uma base para as forças de operações especiais para os ataques contra alvos do Taleban.
A ideia de criar uma frota dedicada para servir como bases flutuantes ganhou força na década de 90, quando os militares não tinham muitas missões após o colapso do comunismo e procuraram maneiras de operar de forma independente perto das áreas contestadas.
Para acomodar as diferentes missões de diferentes ramos militares a bordo da base flutuante, os navios serão equipados com um hangar de helicóptero na plataforma e portais de acesso para pequenas e rápidas embarcações. Um pequeno hospital e um centro de purificação de água também estão a bordo do navio.
Autoridades do Pentágono e da Marinha notaram que a busca por uma base de preparação foi acelerada e finalmente se tornou uma realidade devido à pressão de oficiais superiores no Comando Central e do Comando de Operações Especiais.
"As operações atuais são indispensáveis para proteger as linhas de comunicação marítimas mapeando e neutralizando minas marítimas", disse o tenente-coronel T.G. Taylor, porta-voz do Comando Central. "As minas não discriminam suas vítimas e precisam de uma forte resposta para garantir a segurança de todas as embarcações marítimas."
*Por Thom Shanker

Tribunal do Mercosul acata ação contra suspensão do Paraguai

O Tribunal de Revisão do Mercosul acatou a ação promovida pelo governo do Paraguai contra a suspensão do país decidida durante a última cúpula do Bloco, na cidade argentina de Mendoza, informou a agência estatal (IPP), que cita fontes da Chancelaria.
Após acatar a ação, o tribunal com sede em Assunção tem seis dias para pronunciar a sentença, disse à IPP Ernesto Velázquez, assessor jurídico da Chancelaria paraguaia.
Velázquez destacou que a análise do caso ficará a cargo dos juízes José María Gamio (Uruguai), Carlos María Correa (Argentina), Roberto Ruiz Díaz, (Paraguai), Wilber Barral (Brasil) e Jorge Luis Fontoura (Brasil).
Caso o tribunal decida a favor do governo do Paraguai, a decisão de suspender o país do Mercosul ficará sem efeito, explicou um funcionário da IPP. "Se a sentença for negativa, o Paraguai se reserva o direito de recorrer a outras instâncias internacionais".
Brasil, Argentina e Uruguai decidiram na cúpula do Mercosul de Mendoza, em 29 de junho passado, suspender a Paraguai do bloco devido ao processo sumário de destituição do presidente Fernando Lugo.
Na mesma ocasião, os três países aprovaram o ingresso da Venezuela como membro pleno do Bloco, cuja incorporação era bloqueada pelo Congresso paraguaio.
Em sua ação no Tribunal Permanente do Mercosul, o Paragual afirma que não ocorreu qualquer quebra da ordem institucional porque o impeachment de Lugo respeitou a Constituição do país.

Membro-do-parlamento-israelense-rasga-biblia-joga-livro-no-lixo-


Para Michael Ben-Ari, o presente seria uma provocação da Igreja

JERUSALÉM Ao receber uma Bíblia de presente, o membro do Parlamento israelense Michael Ben-Ari (da União Nacional) rasgou o Novo Testamento em pedaços e, em seguida, jogou o livro católico no lixo. De acordo com o site israelense NRG, os exemplares foram distribuídos aos 120 membros da Knesset por Victor Kalish, diretor-executivo de uma editora cristã especializada na distribuição de textos religiosos em Israel.
Kalish enviou as Bíblias juntamente com uma carta explicando que se tratava de uma nova edição com 90 mil referências. Este é um precioso fruto da cooperação entre as Sagradas Escrituras e entre os crentes ao redor do mundo, que lança luz sobre o Antigo Testamento e ajuda a compreendê-lo.
A reação causou alvoroço. De acordo com o site, Ben-Ari teria dito que o livro abominável promoveu o assassinato de milhões de judeus durante a Inquisição.
- Essa é uma provocação missionária muito feia da Igreja. Não há dúvida de que o livro e seus remetentes pertencem ao lixo da história - afirmou.
Com a reação violenta, Tzipi Hovotely, membro do partido governista do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, enviou um pedido ao presidente da Knesset instando-o a proibir a distribuição de materiais missionários.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Moldávia proíbe uso da foice e do martelo por comunistas

Parlamento da Moldávia proibiu o uso de símbolos comunistas. Foto: AFP Parlamento da Moldávia proibiu o uso de símbolos comunistas
Foto: AFP
O Parlamento da Moldávia condenou nesta quinta-feira os crimes do regime que governou o país na época em que o território fazia parte da União Soviética e proibiu o uso de símbolos comunistas, ainda usados pelo principal partido da oposição.
Os dois projetos de lei foram aprovados por 56 deputados da situação, que apoiam a Aliança para a Integração Europeia (AIE), enquanto os comunistas, que somam 39 dos 101 parlamentares que compõem o Parlamento moldávio, abandonaram o plenário durante a votação.
"É nosso dever moral condenar os crimes do regime totalitário comunista. Desta maneira, honramos a memória de nossos familiares que sofreram com o regime", disse Mihai Ghimpu, presidente do Partido Liberal, que faz parte da Aliança.
O Partido Comunista da Moldávia (PCM) é apoiado por quase metade da população moldávia. Nas últimas eleições legislativas, o partido conquistou 42 cadeiras, embora mais tarde três de seus deputados formaram o Grupo Socialista.
Com a nova lei, os comunistas deverão deixar de usar sua histórica identidade, a foice e o martelo, símbolos herdados do Partido Comunista da União Soviética. "Proibiremos o uso da simbologia comunista, a foice e o martelo, no território da Moldávia", disse Ghimpu.
O líder do PCM, Vladimir Voronin, lamentou os projetos de lei promovidos pela Aliança e disse que eles são "uma tentativa de tirar a oposição do âmbito constitucional".
Voronin lembrou que "muitos cidadãos apreciam a simbologia comunista, sob a qual lutaram" na Segunda Guerra Mundial. "Ninguém tem direito a reescrever a história e menosprezá-la. Quem a menospreza depois sofre as consequências. A história tem o costume de se vingar. E essa vingança será muito dolorosa para alguns. Isto já não é Parlamento, é um hospital psiquiátrico", manifestou Voronin.
O principal partido opositor da antiga república soviética recorrerá da decisão "porque contradiz a lei dos partidos, a Constituição e outras leis", comentou o líder do PCM.

Rabinos condenam decisão judicial alemã contra circuncisão

A Conferência Europeia de Rabinos criticou severamente nesta quinta-feira a decisão judicial de um tribunal alemão contra a circuncisão e o qualificou como o maior ataque aos judeus desde o Holocausto perpetrado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
O presidente dos rabinos, o titular de Moscou Pinchas Goldschmidt, afirmou durante a reunião dos religiosos de Berlim que "a proibição da circuncisão põe em dúvida a existência da comunidade judaica na Alemanha".
"Se a resolução for mantida, não vejo futuro para os judeus na Alemanha", afirmou de forma taxativa Goldschmidt, convencido de que a decisão judicial acabará se incorporando à legislação alemã.
O rabino comparou ainda a sentença controversa, emitida no mês passado, com a proibição nazista de certos métodos de sacrifício de animais judeus, considerada uma das primeiras agressões legais contra essa religião na Alemanha nacional-socialista.
Em 26 de junho, o Fórum Municipal de Colônia (Alemanha) qualificou a circuncisão por motivos religiosos de "lesão física ilegal e passível de punição", por considerar que fere o direito de autodeterminação da criança, que deve prevalecer sobre a liberdade religiosa.
A polêmica gerada pela decisão levou o ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, a reiterar recentemente que "deve ficar claro que a Alemanha é um país aberto e tolerante", onde "a liberdade religiosa está fortemente consolidada" e no qual "as tradições religiosas como a circuncisão são consideradas uma expressão de diversidade religiosa".

terça-feira, 10 de julho de 2012

Força Aérea da Indonésia Assina Contrato Comercial para Segundo Lote de Aviões A-29 Super Tucano


A Força Aérea da Indonésia assinou contrato comercial de um segundo lote de oito aviões turboélices de ataque leve e treinamento tático A-29 Super Tucano, da Embraer. O pedido inclui ainda um simulador de voo que será utilizado para instrução e treinamento dos pilotos indonésios. A Indonésia começará a receber os primeiros quatro aviões do primeiro lote em agosto de 2012 e as entregas do segundo lote em 2014.

“Esta decisão demonstra o reconhecimento da qualidade do Super Tucano no mercado internacional”, disse Luiz Carlos Aguiar, Presidente da Embraer Defesa e Segurança. “Agradecemos à Força Aérea da Indonésia pela confiança e estamos certos de que o Super Tucano desempenhará com eficácia e excelência as missões para as quais foi selecionado.”

O A-29 Super Tucano foi escolhido pela Indonésia para executar uma ampla gama de missões, que incluem ataque leve, vigilância, interceptação aérea e contra insurgência. Esta aquisição faz parte do plano de modernização de equipamentos das Forças Armadas da Indonésia para os anos 2009-2014. Com mais de 157 mil horas de voo e mais de 23 mil horas de combate, o A-29 Super Tucano está equipado com as mais recentes tecnologias em sistemas eletrônicos, eletro-ópticos, infravermelho e laser, assim como sistemas de rádios seguros com enlace de dados e uma inigualável capacidade de armamentos, o que o torna altamente confiável e com excelente relação custo-benefício para um grande número de missões militares, mesmo em pistas não pavimentadas.

EUA criticam "visita" não autorizada do Mickey à Coreia do Norte

Personagens da Disney se apresentaram em Pyongyang, na Coreia do Norte Foto: AP
Os Estados Unidos criticaram o uso sem autorização de personagens da Disney na Coreia do Norte, após um incomum espetáculo nesse país no qual personagens como Mickey Mouse se apresentaram ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, informa nesta terça-feira a agência sul-coreana Yonhap.
"Todos os países devem cumprir as normas e as leis de comércio internacional, incluindo o respeito aos direitos de propriedade intelectual", indicou à Yonhap um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.
O fato ganhou grande atenção midiática por ser a primeira vez em que o regime comunista da Coreia do Norte, geralmente reticente a influências do exterior, realiza um espetáculo com personagens da cultura dos EUA, país considerado seu principal inimigo.
O regime norte-coreano transmitiu através de sua televisão estatal, a KCNA, imagens de um espetáculo no qual intérpretes vestidos de personagens da Disney fizeram uma apresentação para o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e seu séquito.
Em outras imagens transmitidas durante o fim de semana, a televisão norte-coreana também mostrou o jovem líder junto a uma mulher que as especulações acreditam ser sua irmã ou esposa.
Devido ao extremo hermetismo do regime norte-coreano, não se sabe se Kim Jong-un é casado ou não.

EUA duvidam que Irã possa ter papel "positivo" na Síria

A Casa Branca rejeitou nesta terça-feira a ideia de que o Irã possa desempenhar um papel "positivo" na crise síria, exposta um pouco antes pelo emissário internacional Kofi Annan durante uma visita a Teerã. "Não acredito que ninguém possa dizer seriamente que o Irã tenha tido um efeito positivo nos acontecimentos na Síria", disse o porta-voz do presidente Barack Obama, Jay Carney, a jornalistas no avião presidencial Air Force One, que leva Obama a Iowa (centro).
Annan, que está em visita a Teerã nesta terça-feira para discutir a evolução dos acontecimentos na Síria, afirmou que espera que o Irã se junte aos esforços por uma solução, algo que os governos ocidentais e a oposição síria rejeitaram até o momento. Eles acusam Teerã de apoiar militarmente o regime de Damasco, do qual é seu principal aliado.
"Existe o risco de que a crise síria saia do controle e se estenda para a região", destacou Annan durante uma breve entrevista coletiva à imprensa. Neste contexto, "o Irã pode desempenhar um papel positivo", afirmou Annan, que indicou que continuará "trabalhando" com os líderes iranianos.
Carney disse que está de acordo com o plano Annan para pôr fim à violência na Síria e criar um governo de transição, mas explicou que Washington continua "cético em relação à vontade do presidente Bashar al-Assad de cumprir os compromissos assumidos" e que "se colocar ao lado de Assad equivale a se colocar ao lado de um tirano e ficar no lado errado".

Deputados russos ratificam protocolo de adesão da Rússia à OMC

A Duma, a câmara baixa do parlamento russo, ratificou nesta terça-feira o protocolo de adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), uma etapa histórica que põe fim a 18 anos de difíceis negociações.
O texto, que teve a oposição dos parlamentares comunistas, foi ratificado por 238 votos a favor, 208 contra e uma abstenção. O partido no poder Rússia Unida dispõe da maioria absoluta na Duma, com 238 cadeira em um total de 450.
Os outros partidos representados também anunciaram que votariam contra, pois consideram que inúmeras empresas russas acabarão declarando falência devido à concorrência estrangeira.
Este texto deve ser aprovado pelo Conselho da Federação (câmara alta) e depois assinado pelo presidente Vladimir Putin, para entrar em vigor 30 dias depois.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Paradoxo Nuclear

Mudanças climáticas e proliferação de armas nucleares são os fatores que representam a maior ameaça à segurança internacional


Leonam dos Santos Guimarães
Doutor em engenharia, assistente da presidência da Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica
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Na Cúpula da OTAN, que teve lugar de 20 a 21 de maio em Chicago, a aliança reafirmou a importância das armas nucleares para a estratégia de defesa do bloco ocidental e garantiu aos membros europeus que o escudo de defesa antimíssil, atualmente em desenvolvimento, não presidente tomar o lugar dessas armas.
Os EUA mantiveram, sob o “guarda-chuva” da OTAN, até 7.000 armas nucleares no território de países da Europa durante a Guerra Fria. Embora a Guerra Fria tenha terminado há 20 anos, os EUA continuam a manter cerca de 200 armas nucleares táticas em cinco países europeus: Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia. Além disso, dois membros da OTAN, a França e o Reino Unido, possuem armas nucleares próprias.
Os Estados Unidos planejam gastar pelo menos US$ 6 bilhões para modernizar as bombas nucleares B-61 que estão em solo europeu. Essas bombas, lançadas por aviões bombardeiros, não teriam nenhum emprego concebível pois seu desenvolvimento, décadas atrás, era justificado pelas preocupações ocidentais sobre a superioridade militar convencional soviética na Europa. Parece que essas preocupações permanecem apesar do fim da Guerra Fria, ou os alvos atuais seriam outros.
Dos cinco países europeus que abrigam armas nucleares americanas, dois (Alemanha e Itália) proscreveram um uso pacífico da energia nuclear, a geração elétrica, e um terceiro (Bélgica) tem declarado que segura esse mesmo caminho. É paradoxal o fato de que nesses países não se percebe nenhum movimeto político ou da sociedade civil significado no sentido de proscrever essas armas de seu território, apesar de todos serem membros do tratado de não proliferação nuclear.
Com a proximidade de conferência Rio+20 da ONU, diversas personalidades políticas e do movimento ambientalista vêm se posicionando de forma radicalmente contrária ao uso pacífico da energia nuclear, que é a geração elétrica. O “ensurdecedor” silêncio quanto às armas nucleares é surpreendente. Mais ainda quando se leem as recentes notícias sobre os desdobramentos possíveis da crise nuclear no Irã, da nova constituição da Coreia do Norte, promulgada em 13 abril passado, que assume ser o país nuclearmente armado, o recente recrudescimento das tensões políticas em torno da soberania das Ilhas Malvinas, que trouxe ao Atlântico Sul submarinos britânicos potencialmente dotados de armas nucleares, e que a Alemanha participa do esforço bélico de Israel, supostamente voltado contra o Irã, fornecendo-lhe submarinos capazes de lançar mísseis nucleares.
Mudanças climáticas e proliferação de armas nucleares são os dois fatores que representam a maior ameaça à paz e à segurança internacional, senão à própria sobrevivência da civilização. Mas enquanto a ameaça das mudanças climáticas se coloca no longo prazo, as armas nucleares são uma ameaça que pode se concretizar a qualquer momento pelo uso proposital por Estados que as possuem, por terroristas que as desviem ou pela ocorrência de acidentes.
A maneira eficaz de afastar a ameaça imediata das armas seria a eliminação total e irreversível de todos os arsenais nucleares e a proscrição de produção, uso e armazenagem de urânio altamente enriquecido e de plutônio em “grau de arma”, materiais que não existem em território brasileiro. A mitigação de ameaça das mudanças climáticas inclui necessariamente o desenvolvimento em ampla escala da geração elétrica nuclear.
Assim como do aço, do nuclear podem ser feitos lanças e arados. A sustentabilidade pede a proscrição das lanças e a proliferação dos arados. Mas não se ouvirá isso na Rio+20, infelizmente.

Leonam dos Santos Guimarães é doutor em engenharia, assistente da presidência da Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica.