sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tambores de Guerra - Turquia expulsa Missão Síria, Irã faz ameaça e pacto de paz está 'por um fio'

No mesmo momento em que fontes próximas ao mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, admitiam que o plano de paz para a Síria estava "por um fio", e depois de as potências ocidentais e o Japão anunciarem a expulsão de diplomatas de Damasco, a Turquia ordenou ontem a saída de todo o pessoal da missão da Síria de seu território e ameaçou adotar "novas medidas" se a repressão de Bashar Assad aos opositores não cessar.

"Nunca a situação na Síria foi tão delicada como agora", disse um dos assessores mais próximos de Annan ao Estado. O ex-secretário-geral da ONU nunca conseguiu implementar plenamente seu plano de paz, que abriria as portas para o diálogo entre governo e oposição na Síria, após o cessar-fogo de ambos os lados.

Horas depois da decisão turca de expulsar a missão síria, o Irã declarou que qualquer ataque contra a Síria "engoliria" Israel no conflito. A oposição a Assad, do outro lado, também reforçou as ameaças: se o ditador não implementar o cessar-fogo previsto pelo plano de paz até amanhã, vão se considerar "livres" para voltar aos combates, no que seria a deflagração de uma guerra civil.

China e Rússia criticaram a decisão dos mais de dez países que expulsaram diplomatas sírios e advertiram que bloquearão qualquer tipo de iniciativa para uma ação armada contra a Síria, como chegou a propor na terça-feira o presidente francês, François Hollande.

Há dois dias, vários governos - liderados por França, Grã-Bretanha e EUA - tomaram a decisão de expulsar diplomatas sírios, como resposta ao massacre cometido em Hula. A tragédia deixou 108 mortos, incluindo 49 crianças, e a ONU concluiu que se tratou de uma execução por parte de milícias pró-Assad. O cônsul honorário da Síria na Califórnia, Hazem Chehabi, renunciou ao cargo em protesto pela matança.

Em nota, o governo turco qualificou o massacre de Hula de "crime contra a humanidade". Ancara, que era aliada de Damasco até o início da crise, também indicou que, se as mortes continuarem, não terá outra opção senão agir, sem detalhar quais seriam essas ações. Há poucos meses, a Turquia chegou a falar na criação de zonas-tampão, em território sírio, para abrigar refugiados, e armar a oposição.

A Turquia, ao lado de americanos, ainda liderou a convocação de uma reunião de emergência amanhã, em Genebra, para debater no Conselho de Direitos Humanos da ONU o massacre de Hula. Eles esperam que uma resolução seja aprovada, pedindo que os autores sejam levados a tribunais internacionais.

Horas depois das declarações da Turquia, foi a vez de o Irã responder. O presidente do Parlamento, Ali Larijani, deixou claro que qualquer ação armada contra a Síria teria uma resposta direta em Israel. "A Síria não é a Líbia", disse. "Os efeitos de criar uma nova Benghazi na Síria se espalhariam para a área palestina e as cinzas que sairiam das chamas certamente engoliriam o regime sionista", declarou, em relação à Israel. "Parece que os EUA e o Ocidente estão pavimentando o caminho para uma nova crise", disse.

Em entrevista a uma TV francesa, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, declarou que espera que os autores do massacre de Hula sejam "punidos". Mas acusou o Ocidente de intervir na Síria. "Não podemos confiar nessas pessoas. Seu objetivo é fazer Assad cair", disse.

Ontem, a ONU revelou ter descoberto outros 13 corpos, no que parece ser mais uma execução. Segundo o general Robert Mood, que lidera a missão da ONU na Síria, as vítimas tinham as mãos atadas e foram baleadas na cabeça.
Limite.
Diante das mortes, os líderes do Exército Sírio Livre anunciaram ontem que dão apenas mais um prazo para que Assad cumpra o plano Annan. Se até sexta-feira da manhã em Damasco, o cessar-fogo não for implementado pelo regime, o grupo abandonará todo o compromisso com a ONU.

"Estaremos livres de qualquer compromisso e defenderemos e protegeremos os civis, seus vilarejos e suas cidades", declarou o coronel rebelde Qassim Saadeddine. A ONU afirma que tanto o governo quanto a oposição violaram o cessar-fogo.

Moscou reiterou que não muda sua posição e não hesitará em vetar não só uma ação armada, como também novas sanções. "Considerar qualquer nova medida seria prematuro", disse o vice-chanceler, Gennadi Gatilov. O presidente russo, Vladimir Putin, visitará Alemanha e França amanhã e será pressionado a tomar nova posição. Ontem, os EUA insistiram que aliados de Assad estarão no "lado errado da história" se continuarem a apoiar o regime.

Henrique Meirelles nomeado presidente do banco Lazard Americas

O banco franco-americano Lazard anunciou nesta quinta-feira (31) que o ex-presidente do Banco Central do Brasil Henrique Meirelles ocupará a presidência do Lazard Americas, o que revela a aposta da instituição nas "oportunidades do Brasil".
Os negócios do banco no Brasil estavam até o momento nas mãos da "joint venture" Signatura Lazard, formada em 2004 entre o Lazard e o banco brasileiro de investimentos Signatura Advisory, fundado por dois antigos dirigentes do ING Baring, Marcelo Lyrio e Jean-Pierre Zarouk.Lyrio e Zarouk "conservarão suas responsabilidades de diretores-gerais e dirigentes de atividades do banco de investimentos no Brasil, a partir de São Paulo", destaca o comunicado do Lazard.
Esta reorganização demonstra "nossa convicção sobre as oportunidades atuais e futuras no Brasil", disse Antonio Weiss, diretor mundial do banco de investimentos Lazard.
"Conhecemos e admiramos o senhor Meirelles há anos. Suas perspectivas sobre o sistema financeiro e sobre a economia mundial serão inestimáveis para o Lazard e seus clientes".
Henrique Meirelles presidiu o Banco Central do Brasil de 2003 a 2010.

Política Externa - "Contra imperialismo", PT declara total apoio à reeleição de Chávez


O PT declarou nesta quarta-feira seu "total apoio" ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que em outubro tentará ser reeleito para o cargo que exerce desde 1999. "Estarei em julho em Caracas para manifestar nossa simpatia e apoio ao presidente Chávez, sem interferir nos assuntos internos (da Venezuela)", declarou o presidente do partido, Rui Falcão, em entrevista com correspondentes estrangeiros em Brasília.
Ele disse que viajará à capital venezuelana para participar de uma reunião do Foro de São Paulo, organização que congrega partidos da esquerda latino-americana, mas que aproveitará para "levar a Chávez" o apoio do PT.
Segundo ele, o partido "apoia todos aqueles presidentes que governam em favor dos povos e que não aceitam a hegemonia imperialista", entre os quais citou o próprio Chávez, a argentina Cristina Kirchner, o peruano Ollanta Humala e o salvadorenho Mauricio Funes, entre outros.
Chávez, que passou por três cirurgias em menos de um ano e se submeteu a sessões de quimioterapia e radioterapia para combater um câncer, ratificou sua candidatura para as eleições presidenciais de 7 de outubro na Venezuela.
Sobre a reunião do Foro de São Paulo, Falcão explicou que a agenda incluirá debates sobre integração, promoção de políticas não recessivas, construção de uma agenda global "antineoliberal", defesa da paz mundial, princípio da não-intervenção e fim do embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba.

No Dia Mundial sem Tabaco, Brasil aborda danos à saúde e ao meio ambiente

O tema definido pelo governo brasileiro para o Dia Mundial sem Tabaco, lembrado hoje (31), é "Fumar: Faz Mal pra Você, Faz Mal para o Planeta". Dados do Ministério da Saúde indicam que o percentual de fumantes no país passou de 16,2% em 2006 para 14,8% no ano passado. É a primeira vez que o índice fica abaixo dos 15%.
A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril, indica ainda que a frequência de fumantes continua maior entre os homens: 18,1% contra 12% entre as mulheres. Mesmo assim, a população masculina lidera os números sobre a redução do tabagismo no país, já que 25% deles declararam ter deixado de fumar, contra 19% entre pessoas do sexo feminino.
Humberto Fernandes dos Santos, 44 anos, é um dos brasileiros que conseguiram largar o vício. O aposentado começou a fumar aos 16 anos, por curiosidade. Depois disso, tentou parar por três vezes, mas só conseguiu abandonar o cigarro em 2008, aos 41 anos. “Apresentei alguns problemas de saúde, inclusive arritmia cardíaca. De lá para cá, não fumei mais”, contou.
As primeiras semanas na tentativa de cortar o vício, segundo ele, são as mais difíceis. “Você sempre se lembra do cigarro. Para me controlar, parei de beber café, comecei a fazer exercícios e passei a estudar regularmente para ocupar a mente. É uma luta diária, mas desde que parei de fumar, percebi que estou mais tranquilo e respirando melhor”.
As secretarias de Saúde em todo o país têm atividades agendadas para esta quinta-feira, com o objetivo de reforçar o combate ao tabaco. No Distrito Federal, representantes da Coordenação do Programa de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer participam de ações na Ala Mário Covas da Câmara Federal. Servidores e visitantes poderão fazer exames, como o que mede a capacidade respiratória, o teste de dependência química, a aferição de pressão arterial e ocular e a avaliação odontológica para câncer de boca.
Na capital paulista, das 10h às 15h, profissionais do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas estarão no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) distribuindo folhetos informativos sobre o uso do tabaco, do álcool e de outras drogas. Serão realizados também testes de dependência, avaliação odontológica e testes para avaliar o índice de monóxido de carbono no pulmão de fumantes. As pessoas que apresentarem alto risco de dependência serão encaminhadas a serviços especializados para tratamento gratuito.
No Ceará, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes promoverá exposição das substâncias prejudiciais à saúde contidas no cigarro, das 11h às 14h. De acordo com a Secretaria de Saúde local, a fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono (o mesmo que sai do escapamento dos veículos), além de substâncias cancerígenas, corantes e agrotóxicos em altas concentrações.

Adoção da Sharia divide tuaregues do norte do Mali

O grupo tuaregue Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), do norte do Mali, reconheceu nesta quarta-feira que a aplicação da Sharia (lei islâmica) tem dificultado o cumprimento do acordo feito no sábado com os conservadores islâmicos de Ansar Dine (Defensores da Religião).
"O MNLA não pode aceitar certas práticas da Sharia. Propomos uma república islâmica aberta ao mundo, com uma cooperação laica, com a presença de ONGs e associações humanitárias sem barreiras religiosas", disse à Agência Efe por telefone o porta-voz do grupo tuaregue, Atayer Ag Mohammed.
No sábado passado, o MNLA e o Ansar Dine, que defende a adoção da lei islâmica, anunciaram um acordo para o estabelecimento do Estado Islâmico de Azawad, um mês e meio após o MNLA proclamar a independência deste território de 850 mil quilômetros quadrados no norte do Mali.
Em comunicado divulgado no site oficial do MNLA e que foi retirado poucas horas depois, ambos os grupos se comprometiam com a criação de um Estado islâmico baseado nos dizeres do Corão e da Sunna (ditos e feitos do profeta Maomé).
A nota, assinada por representantes dos dois grupos, estipulava também a criação de um "Exército unido" e de um "Conselho de Transição" dentro de um Estado independente.
Ag Mohammed lamenta que o Ansar Dine tenha "outra interpretação sobre o caráter islâmico" de Azawad, cuja independência não foi reconhecida por nenhum país. No entanto, apesar dessas diferenças sobre a aplicação da lei islâmica, ele se mostra otimista sobre a superação das diferenças.

Egito: vitória de Shafiq significaria "sequestro da revolução"

O político islamita moderado Abde Moneim Abul Futuh, derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais egípcias, condicionou nesta quinta-feira seu apoio ao candidato islamita Mohammed Mursi na segunda etapa, à formação de um Governo de coalizão liderado por um independente.
No segundo turno do pleito, entre 16 e 17 de junho, os egípcios terão que escolher entre Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, e o general reformado Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro da era do presidente deposto Hosni Mubarak (1981-2011).
Em comunicado publicado em seu site oficial, Futuh, um islamita moderado ex-membro da Irmandade Muçulmana, disser ter um plano de quatro pontos que promove a união e "protege a pátria dos riscos", diante das tentativas de "sequestro da revolução".
Futuh, que ficou em quarto lugar no primeiro turno, com 17% dos votos, também propôs em seu plano a formação de um Governo e de uma Assembleia Constituinte de consenso. Além disso, ele indica que o Executivo deverá ser liderado por uma personalidade de fora do majoritário Partido Liberdade e Justiça (PLJ), de Mursi, enquanto os ministérios importantes, pelos tecnocratas.
Quanto à comissão que deverá redigir a nova Constituição, Futuh exigiu uma reflexão sobre a diversidade social e uma percentagem considerável de juristas e especialistas constitucionais e pediu que a Assembleia Constituinte seja formada antes do segundo turno e emita suas resoluções com um acordo de dois terços dos membros.
O político também solicitou a designação de dois vice-presidentes com poderes definidos, que componham junto ao chefe de Estado a instituição presidencial, de forma a evitar que uma pessoa só centralize o poder, como durante o mandato de Mubarak.
Além disso, seu plano estipula que o presidente deve anunciar sua independência de qualquer partido político. No entanto, Mursi é o candidato do PLJ.
Os candidatos presidenciais derrotados, entre eles Futuh, o esquerdista Hamdin Sabahi, e o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amre Moussa, estão realizando uma série de reuniões nesta semana para alcançar uma postura unificada.
Todos rejeitaram apoiar Shafiq, por considerá-lo membro do antigo regime, mas condicionam o apoio a Mursi, por causa do temor de que a Irmandade Muçulmana controle todas as esferas do poder.

Países da ONU recomendam fim da Polícia Militar no Brasil

O Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu nesta quarta-feira ao Brasil maiores esforços para combater a atividade dos "esquadrões da morte" e que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais. Esta é uma de 170 recomendações que os membros do Conselho de Direitos Humanos aprovaram hoje como parte do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre o Exame Periódico Universal (EPU) do Brasil, uma avaliação à qual se submetem todos os países.
A recomendação em favor da supressão da PM foi obra da Dinamarca, que pede a abolição do "sistema separado de Polícia Militar, aplicando medidas mais eficazes (...) para reduzir a incidência de execuções extrajudiciais". A Coreia do Sul falou diretamente de "esquadrões da morte" e Austrália sugeriu a Brasília que outros governos estaduais "considerem aplicar programas similares aos da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) criada no Rio de Janeiro". Já a Espanha solicitou a "revisão dos programas de formação em direitos humanos para as forças de segurança, insistindo no uso da força de acordo com os critérios de necessidade e de proporcionalidade, e pondo fim às execuções extrajudiciais".
O relatório destaca a importância de que o Brasil garanta que todos os crimes cometidos por agentes da ordem sejam investigados de maneira independente e que se combata a impunidade dos crimes cometidos contra juízes e ativistas de direitos humanos.
O Paraguai recomendou ao país "seguir trabalhando no fortalecimento do processo de busca da verdade" e a Argentina quer novos "esforços para garantir o direito à verdade às vítimas de graves violações dos direitos humanos e a suas famílias". A França, por sua parte, quer garantias para que "a Comissão da Verdade criada em novembro de 2011 seja provida dos recursos necessários para reconhecer o direito das vítimas à justiça".
Muitas das delegações que participaram do exame ao Brasil concordaram também nas recomendações em favor de uma melhoria das condições penitenciárias, sobretudo no caso das mulheres, que são vítimas de novos abusos quando estão presas. Neste sentido, recomendaram "reformar o sistema penitenciário para reduzir o nível de superlotação e melhorar as condições de vida das pessoas privadas de liberdade".
Olhando mais adiante, o Canadá pediu garantias para que a reestruturação urbana visando à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 "seja devidamente regulada para prevenir deslocamentos e despejos".