terça-feira, 15 de maio de 2012

Israel prepara arsenal para enfrentar Irã

Roberto Godoy - O Estado de S. Paulo
Pode ser uma série de misseis Jericó, gigantes de 15,5 metros e 30 toneladas, com ogivas de ataque de até 1.300 quilos de explosivos de alta capacidade de destruição. Ou, é mais provável, as bombas GBU-28 de 2 toneladas, despejadas por uma força combinada de ataque, formada por caças F-15I Ra’am, o Trovão, e F-16I Sufa, a Tempestade, as versões israelenses de dois poderosos jatos americanos de combate, o Strike Eagle e o Fighting Falcon.
O primeiro fogo de um ataque de Israel contra o Irã será pelo ar, e terá de ser necessariamente devastador para dificultar a reação, tão inevitável quanto a investida preventiva que especialistas dão como certa há 12 anos. É difícil.
Vai exigir certos recursos que os esquadrões da aviação frontal israelense ainda estão desenvolvendo ou aprendendo a usar.
“Esse gênero de operação implicará intensas negociações diplomáticas para obtenção das autorizações dos voos no espaço aéreo de países como Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait e Iraque”, pondera analista John Miller, do Foreing Political Center (FPC), de Washington.
O plano de ataque só será eficiente se adotar o estilo americano de bombardeio maciço em ondas contínuas. Isso depende diretamente de oferecer reabastecimento no ar. É um ponto sensível. A frota israelense de aviões é pequena, composta por sete aviões, quatro dos quais jatos quadrimotores.
De acordo com um cenário do FPC, a principal dificuldade a ser superada pela aviação de Israel é a distância até os alvos principais – Natanz, Bushehr, Isfahan e Qom, onde foram construídas, em alguns casos, dentro de imensos complexos subterrâneos, as principais instalações do programa nuclear iraniano. Um reator, uma fábrica de gás de urânio, e os centros estratégicos da pesquisa que agências de inteligência ocidentais consideram dedicadas à missão de produzir, em segredo, armas atômicas e toda uma família de foguetes lançadores.
A contar das bases da força aérea, são 1.800 quilômetros e, a partir da linha de fronteira leste, cerca 1.500 km.
Para chegar até os três objetivos com ao menos 15 ou 20 minutos de autonomia, fornecedores como Lockheed-Martin, Boeing Defense e Raytheon, dos Estados Unidos, criaram, junto com técnicos israelenses, arranjos especiais para os supersônicos F-15 e F-16. Projetaram ainda a configuração de penetração da bomba inteligente GBU-28.
Boa parte da eletrônica de bordo das aeronaves, que ganharam a letra I, de Israel, na identificação, foi projetada por especialistas locais – o novo computador central, por exemplo, da mesma forma que o sistema destinado a permitir que o piloto direcione e dispare armas, empregando só o conjunto ótico do capacete.
O F-15I pode cobrir 2 mil quilômetros sem tanques extras. Já o F-16I precisou receber reservatórios de desenho especial. A velocidade máxima do Ra’am bate no limite de 2,600 km/hora. Leva 10,4 toneladas de carga externas de combate. É um jato de grande porte, mede pouco menos de 20 metros de comprimento, C0m 15,2 metros o Sufa é menor, fica na faixa de 1,4 a 1.7 mil km/hora e de 7,7 mil quilos sob as asas. Ambos são dotados de canhões de 20 milímetros.
A força Israel estaria em condições de lançar de 75 a 100 aeronaves. Cada uma delas estaria armada com seis mísseis e bombas de precisão, do grupo GBU-28, com poder de penetração de seis metros em blindagem de concreto, e de 30 metros em terreno despreparado. A guiagem é feita por um laser, que indica a direção do alvo virtualmente sem erro. Há modelos mais leves no arsenal.
Reação pesada. A resistência do Irã está baseada em sua força de mísseis. A indústria de Defesa do regime de Teerã produz tipos de médio alcance, na faixa superior a 2 mil quilômetros, com ogivas de 500 kg a 750 kg.
Existem nove diferentes configurações. Os mísseis Shahab-2 e 3 podem chegar a qualquer ponto, em Israel e em todo o Oriente Médio. Mais que isso, o complexo de defesa aérea emprega sistemas russos avançados, preparados para identificar, simultaneamente, dezenas de intrusos, priorizando o disparo de interceptação pelo grau de ameaça.
O regime dos aiatolás é abastecido por 125 polos industriais militares. Mísseis leves, ar-ar, antitanque e terra-ar, além de armamento de porte pessoal, munição, kits de comunicações e processamento de dados táticos são fabricados nos núcleos, com tecnologia própria ou comprada na Coreia do Norte e no Paquistão.
Quando houve o golpe de 1979 o soberano deposto, Mohamed Reza Pahlevi, havia recebido dos Estados Unidos 80 moderníssimos supersônicos F-14 Tomcat. Sob embargo, a aviação iraniana ficou sem receber peças e componentes – no ano 2000, segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Londres, 49 caças estavam em condições de uso, embora de forma precária. Com apoio de técnicos estrangeiros “simpatizantes do regime fundamentalista”, conforme análise do Instituto, de 2007, a frota remanescente foi revitalizada. A aviação iraniana estaria apta a mobilizar atualmente entre 100 e 15o aeronaves – além dos Tomcat, o inventário inclui times de MiG-29, Mirage F-1, F-5I, F-4 Phantom, e Chengdu F-7, chineses.

Universidades federais confirmam greve a partir de quinta-feira

Professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) confirmaram em assembleias realizadas nesta segunda-feira a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir do dia 17 de maio. A medida provisória que reajusta em 4% o salário dos professores da rede federal, publicada nesta segunda-feira pelo Diário Oficial da União, não foi suficiente para obstruir a ação do movimento.
Segundo o presidente da Associação dos Professores da UFPR (Apufpr), Luis Allan Künzle, a iniciativa da presidente Dilma de substituir o projeto de lei por uma medida provisória deixou a categoria ainda mais revoltada. “Foi uma desrespeitosa manobra para desmontar a greve. O governo não possibilita negociação e acha que vai nos desmobolizar por 4%”.
O reajuste estava previsto no acordo feito entre a categoria e o governo federal em 2011 para encerrar a última greve, no mês de agosto. As entidades representativas alegam que, além do aumento, outros tópicos previstos no acordo, como a reformulação da carreira docente, não foram cumpridos pelo Ministério da Educação.
Künzle informou que na quinta-feira está prevista uma aula pública, no pátio da Reitoria, na qual serão expostas as reivindicações da associação e as dificuldades de negociação com o governo.
UTFPR
Os professores da UTFPR optaram pela manutenção de uma assembleia geral permanente, que vai analisar os avanços do movimento enquanto a greve durar. O primeiro encontro da assembleia após a interrupção das aulas deve ocorrer no dia 24 de maio.
De acordo com Ivo Pereira de Queirós, presidente da Seção Sindical dos Docentes da UTFPR (Sindtuf-PR), espera-se a participação de todos os campus no movimento grevista, mas a adesão dos professores no interior ainda é incerta.

Países do Golfo Árabe se reúnem para discutir união mais próxima

Os países do Golfo Árabe iniciaram nesta segunda-feira uma reunião de cúpula para discutir uma união mais estreita, como parte de uma estratégia das ricas monarquias sunitas para combater o descontentamento muçulmano xiita no Barein e a crescente influência iraniana.

Fontes do Golfo disseram que o encontro foi destinado principalmente a preparar o cenário para uma união mais estreita entre o Barein e a Arábia Saudita, que estão preocupados com o descontentamento entre seus súditos xiitas contra as dinastias sunitas.
Os países do Golfo Árabe acusam o Irã, o poder xiita que está buscando ampliar sua influência na região, de fomentar a agitação -uma acusação que o Irã nega.
Eles também estão preocupados que um impasse internacional sobre o programa nuclear do Irã poderia provocar um conflito armado que possa colocá-los despreparados em um confronto com um vizinho mais poderoso.
"A cúpula vai discutir todos os pontos, incluindo os pontos de união", disse o ministro das Relações Exteriores do Barein, Khalid bin Ahmed Al Khalifa, após conversações preparatórias em Riad no domingo.
O ministro da Informação do Barein, Samira Rajab, afirmou no domingo que espera que "haja um anúncio de dois ou três países". "Nós não podemos ter certeza, mas eu tenho uma forte expectativa."
O pequeno Estado-ilha, que, como outros países do Golfo, é governado por uma dinastia sunita pró-EUA, tem sido sacudido por uma revolta entre a maioria xiita há mais de um ano, depois de reprimi-la temporariamente em março de 2011 com a ajuda das tropas sauditas.
A Quinta Frota da Marinha dos EUA, que patrulha as águas do Golfo e rotas importantes de transporte de petróleo, também fica baseada no Barein.
Os países do Golfo Árabe já estão ligados militarmente, politicamente e economicamente sob o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Mas a união atualmente em discussão se destina a capacitar um país para vir em auxílio de outro se ele se sentir ameaçado, como aconteceu no Barein.
Analistas dizem que, unindo-se com o Barein, a Arábia Saudita iria ganhar mais controle sobre a segurança de seu vizinho pequeno e enviaria uma mensagem de união árabe sunita para o Irã

Força Aérea dos EUA entre duas gerações de caças

A cessação da produção em série dos caças F-22 pode coincidir com o início de sua carreira em combates reais. Muitos especialistas acreditam que a transferência desses aviões para os Emirados Árabes Unidos significa a preparação para um ataque ao Irã. Entretanto, aviões da nova geração estão enfrentando problemas técnicos. Alguns pilotos da Força Aérea norte-americana se recusam a voar nessas máquinas.
O último, 187º, caça F-22 já foi entregue à Força Aérea dos EUA. A cessação da produção em série do F-22 estava planejada há muito tempo. Os recursos econômicos dos EUA não permitem continuar comprando aviões no valor de mais de 300 milhões de dólares por unidade. Mas a linha de produção na fábrica da Lockheed Martin em Marietta, Geórgia, será mantida. Dada a situação atual relativamente ao desenvolvimento e fornecimento de novos equipamentos para a Força Aérea dos EUA, é possível que a produção do avião seja retomada.
Além do custo, há também críticas sobre a confiabilidade da máquina. Muitos acham que o F-22 não é o projeto mais bem sucedido. E argumentam essa opinião pelo baixo nível de preparação da frota dessas aeronaves, seu alto custo de manutenção, e possibilidades limitadas de trabalho com alvos terrestres.
No entanto, o F-22 não é assim tão sem esperança como o estão tentando apresentar. A prontidão para combate da frota de F-22 é atualmente de 68%, o que excede o nível médio de prontidão de aeronaves da Força Aérea dos EUA – 64,5%.
“Em geral, o F-22 pode ser considerado um projeto maduro e bem sucedido – disse à Voz da Rússia Ivan Kudishin, editor-chefe do semanário “Tecnologia de Aviação e Mísseis” do Instituto Central de Aerohidrodinâmica (TsAGI na sigla russa). – As principais desvantagens desta máquina estão sendo gradualmente eliminadas, sua capacidade de combate também está aumentando. Em particular, é necessário notar o aumento das capacidades de trabalho com alvos terrestres graças à adoção de bombas de pequeno diâmetro SDB-II.
No entanto, subsistem algumas deficiências difíceis de explicar em termos de lógica comum. Em particular, o sistema de oxigênio do F-22, onde em vez de um cilindro tradicional é utilizado um gerador de oxigênio. Problemas com este sistema já causaram pelo menos um desastre e alguns pré-requisitos para acidentes de voo, e a necessidade de sua substituição por algo mais familiar é evidente. Dado o número relativamente pequeno de F-22, essa modernização não custará demasiado caro.”
Anteriormente, o general Mike Hostage, chefe do Comando de Combate Aéreo na base da Força Aérea em Langley, na Virgínia, disse que um “muito pequeno” número de pilotos pediram para serem retirados de voos em caças de quinta geração ou transferidos para outras máquinas. O comando da Força Aérea e a NASA estão investigando as causas dos problemas com o gerador de oxigênio.
A cessação da produção do F-22 deixa a Força Aérea dos EUA com apenas uma máquina de série de nova geração para o futuro próximo – o F-35. Em paralelo com a continuação de testes, esta máquina já está sendo produzida em série limitada. No entanto, as capacidades limitadas do aparelho, seu alto custo, e o adiamento contínuo do prazo de sua adoção e do lançamento de produção em grande série ameaçam uma falha grave no fornecimento de novos equipamentos à Força Aérea dos EUA.
Já é evidente que o F-35 é incapaz de substituir os caças pesados F-15. Para isso, ele tem um alcance insuficiente e capacidades limitadas para a colocação de armamentos, pois tem menos pontos de suspensão que o F-15.
Entretanto, a ameaça de ter que enfrentar um inimigo com uma frota moderna aumentará significativamente para os EUA na próxima década. Dado isso, se pode supor que a retoma da produção do F-22 é altamente provável, especialmente se os EUA se recusarem a reduzir seus gastos militares.
A transferência dos F-22 para os Emirados Árabes Unidos já causou muita especulação, sendo a principal suposição que se trata de uma possível preparação para sua utilização contra o Irã. Realmente, tal possibilidade existe e, mais ainda, faz todo o sentido.
A Força Aérea do Irã está hoje seriamente enfraquecida por anos de sanções sobre a venda de armas ao país. Apesar disso, o Irã tem cerca de 20-25 caças F-14 fornecidos no final da década de 1970 prontos para combate. Estas máquinas têm um radar de grande potência e mísseis ar-ar de grande alcance, tornando-os uma séria ameaça para aviões de sua geração. O F-22, por sua vez, sendo pouco visível, tem a chance de chegar bastante perto do F-14 para usar seus próprios mísseis sem ser detectado.
Assim, uma possível campanha iraniana poderá ser para o F-22 uma guerra na qual ele irá executar exatamente o trabalho para o qual foi concebido – conquistar a superioridade aérea. Ironicamente, seus adversários podem ser máquinas americanas iguais, mesmo que obsoletas.

Sendero Luminoso volta a atacar no Peru e abala governo Humala


Por Ryan Dube e John Lyons
O presidente peruano Ollanta Humala enfrenta um desafio inesperado: o ressurgimento do Sendero Luminoso, grupo guerrilheiro que muitos acreditavam estar quase extinto depois que seus líderes foram presos, há vinte anos.

O retorno do grupo, que aterrorizou o Peru na década de 1980, está abalando o governo de Humala. Os ministros da Defesa e do Interior renunciaram na quinta-feira, após esforços fracassados para confrontar os rebeldes, que resultaram na morte de vários policiais.

O Sendero Luminoso matou nove policiais e soldados desde abril, quando também sequestrou, por um breve período, 36 trabalhadores de um campo de exploração de gás natural. Muitos peruanos ficaram indignados este mês quando um helicóptero com uma equipe policial deixou três policiais para trás, após uma incursão fracassada em uma área do Sendero. Apenas um conseguiu sair vivo da floresta. "Eles agiram muito mal", disse Fernando Rospigliosi, ex-ministro do Interior. "Abandonaram policiais em área que não conheciam, sem ter sequer o equipamento básico como rádio de comunicação".

Alberto Otárola, o ex-ministro da Defesa, pediu uma frente unida contra os rebeldes. "A ameaça que precisamos combater hoje tem uma nova cara. O Sendero dos anos 80 que nossas forças venceram sofreu uma mutação", disse.

O surpreendente retorno do grupo tem sido alimentado pelo ressurgimento da produção de cocaína no Peru. O grupo tem sua base em áreas montanhosas remotas onde se planta a coca, matéria-prima da cocaína. As receitas do grupo estão aumentando com as taxas de proteção que vem cobrando do tráfico, dizem especialistas.

Nos últimos dez anos, a repressão incentivada pelos EUA às plantações na Colômbia, que há muito é a maior fornecedora mundial de cocaína, acabou levando boa parte dos negócios para o vizinho. Segundo os EUA, o Peru agora rivaliza com a Colômbia como maior produtor mundial de cocaína.

O novo grupo está longe de ter a força que tinha o Sendero Luminoso dos anos 80. Com cerca de 500 membros operando em áreas remotas, ele usa táticas de guerrilha nas regiões onde se planta a coca, mas até agora não ameaça o poder do governo, como fez há 30 anos.

"O Sendero evoluiu para tornar-se uma forte organização de tráfico de drogas", diz Jaime Antezana, especialista em tráfico no Peru.

O Peru de hoje é um país diferente do que era nos anos 1980. A estabilidade política e uma forte gestão fiscal lhe permitiram aproveitar a alta das commodities. O índice de pobreza também caiu de mais de 50% no início dos anos 2000 para cerca de 30% hoje, reduzindo a atração popular do grupo.

Mesmo assim, lidar com esse problema se tornou a questão política central para um governo que deveria estar capitalizando o boom econômico do país para ampliar os serviços sociais e de saúde.

Nos últimos anos, o grupo ganhou força e passou a chamar a atenção das autoridades. Ele voltou a explodir no cenário nacional em abril com o sequestro dos operários no campo de gás natural. O fiasco da operação policial com helicóptero serviu para ressaltar o tamanho do problema. Humala já enviou 1.500 policiais e soldados para capturar os rebeldes e prometeu aumentar a presença do Estado nas áreas onde eles operam.
A súbita necessidade de lidar com insurgentes financiados pelo tráfico ajuda a explicar por que Humala se voltou para os EUA buscando mais cooperação, mesmo após fazer campanha para que o Peru se distancie da guerra às drogas travada pelos EUA. O presidente tem a opinião pública do seu lado, pois muitos peruanos culpam o grupo por um conflito que já matou cerca de 70 mil pessoas.

O fundador do grupo, o professor de filosofia Abimael Guzmán, o criou como uma espécie de culto com seguidores, que chegaram a totalizar milhares de membros no país. O grupo tinha como alvo qualquer pessoa que rejeitasse a sua ideologia, incluindo os camponeses que alegava representar. Em um massacre de 1983, rebeldes mataram 69 pessoas na aldeia de Lucanamarca, como retaliação pela morte de dois de seus membros.

Em 1992, Guzmán, que usava o nome de guerra Presidente Gonzalo, foi capturado pela polícia em seu esconderijo em uma casa em Lima. Ele continua na cadeia.

Nas encostas dos Andes, onde se vive uma dura existência rural, irmãos e filhos de rebeldes comandam uma resistência obstinada. Víctor Quispe Palomino, com estimados 50 anos de idade e visto como o chefe do Sendero na região, estudou antropologia na universidade onde Guzmán lecionou.

Rússia suspeita que oposição síria receba treinamento no Kosovo

A Rússia suspeita que a oposição armada síria seja treinada no território do Kosovo, informou nesta segunda-feira o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin. Durante debate no Conselho de Segurança sobre o Kosovo, o representante russo fez alusão a "inquietantes informações da imprensa que dão conta de que as autoridades do Kosovo têm contatos com representantes da oposição síria para treinar insurgentes" sírios em seu território.
Fontes diplomáticas e meios de informação reportaram que pelo menos três ativistas sírios exilados estiveram recentemente no Kosovo com ex-rebeldes kosovares que lutaram na guerra separatista contra a Sérvia (1998-99). Tal iniciativa "se oporia aos esforços" do mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, e "faria de Kosovo um centro internacional de treinamento para diferentes insurgentes e grupos armados, o que seria um grave fator de desestabilização, que vai além dos Bálcãs", disse.
O ministro kosovar das Relações Exteriores, Enveer Hoxhaj, disse à imprensa que de fato tem havido "alguns contatos diplomáticos" com a oposição síria. "Apoiamos muito a sua causa", assegurou, embora quando perguntado sobre a possibilidade de que os rebeldes sírios fossem treinados em território kosovar, respondeu: "De forma alguma".
Churkin pediu que "as instâncias internacionais que operam no Kosovo se oponham a tal deriva", em alusão a União Europeia e ONU. A Rússia, alidada histórica de Belgrado, denuncia sistematicamente a independência do Kosovo, reconhecida por 90 países, entre eles 22 dos 27 membros da União Europeia, e considera esta província parte integrante da Sérvia.

Grécia recrimina partido de direita que negou o Holocausto

O governo grego e a comunidade judaica recriminaram na segunda-feira o líder de um partido ultradireitista que negou terem existido câmaras de gás nos campos de concentração nazistas.
Nikolaos Mihaloliakos, cujo partido Aurora Dourada teve crescimento expressivo na inconclusiva eleição de 6 de maio, contestou a tese de que 6 milhões de judeus foram mortos na Segunda Guerra Mundial.
"Não houve fornos, isso é uma mentira (...), não houve câmaras de gás também", disse Mihaloliakos em entrevista no domingo ao canal de TV Mega.
O Aurora Dourada, cujos integrantes se cumprimentam com uma saudação tipo nazista, recebeu quase 7 por cento dos votos, numa eleição marcada pelo crescimento de partidos radicais contrários às políticas de austeridade adotadas no país em troca da ajuda financeira internacional.
Mihaloliakos qualificou de "exagero" a cifra de 6 milhões de judeus mortos, e disse que "muita gente de nações diferentes" morreu nos campos de concentração alemães, assim como muitos japoneses morreram em campos dos EUA.
"Condeno da forma mais categórica possível tais opiniões, que distorcem a história e ofendem a memória de milhões de vítimas do holocausto", disse o porta-voz governamental Pantelis Kapsis.
Cerca de 70 mil judeus gregos morreram em campos de concentração nazistas, a maioria da cidade de Tessalônica (norte).